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O que chamaremos
aqui informalmente de "cultura de acervo" refere-se a
uma série de atividades continuadas que garantam a criação,
conservação, aperfeiçoamento e a real utilização
do acervo audiovisual da escola.
Além
de visar uma melhor utilização dos programas disponíveis,
a reflexão sobre a "cultura de acervo" considera
uma ampla variedade de materiais audiovisuais com possibilidades
de utilização no contexto pedagógico*.
Podem
ser incorporadas ao acervo programação de diversas
fontes: TVs abertas, educativas e por assinatura apresentam materiais
(ou trechos selecionáveis) que podem ser gravados, acervos
públicos e privados dispõem de políticas especiais
para professores da rede pública e o contato com empresas
produtoras/distribuidoras ou realizadores de vídeos para
doação de fitas, encontram-se entre as possibilidades
a serem investigadas (devendo, contudo, merecer atenção
especial as questões relacionadas aos créditos e direitos
autorais dessas produções).
Um
acervo de vídeo é bastante perecível já
que as fitas tem durabilidade variável em função
das condições de uso e armazenamento. Assim, o acervo
será necessariamente dinâmico, sempre haverão
novos programas que podem ser incorporados, assim como, diante de
sua fragilidade, muitas fitas podem ser perdidas com o tempo, uso
intensivo e outras circunstâncias que não podem ser
previstas (mas certamente minimizadas).
Se
as fitas de vídeo VHS tornaram-se os suportes mais populares
e baratos para registro e arquivo de produções audiovisuais,
em um contexto de rápidas transformações tecnológicas
também temos que considerar a perspectiva de serem progressivamente
substituídas por suportes digitais (como CDROM, DVDs ou discos
virtuais acessados pela Internet).
Tais
fatos tornam ainda mais importante a disseminação
da "cultura de acervo" que garantirá não
apenas a melhor conservação dos materiais existentes
e/ou sua conversão em outros suportes (digitais), mas a contínua
incorporação de novos produtos e suportes de registro.
O
diálogo, a troca de experiência e a avaliação
sobre sua utilização em sala de aula, assim como o
desenvolvimento de novas possibilidades, envolvem um trabalho conjunto
e permanente dos professores, estudantes, bibliotecários,
funcionários e coordenação da escola.
Tópicos
de referência:
·
Planejamento de uso
Refere-se às condições para que os professores
possam assistir os vídeos antes das aulas (espaço,
tempo e remuneração direcionada para tal atividade);
inclui a consulta de fichas e materiais de referência sobre
o filme, outras referências sobre os temas abordados (livros,
sites), outros filmes com temas e abordagens relacionados, materiais
de apoio da TV Escola e outras referências, reuniões
com professores da mesma (ou de outras) disciplinas, oficinas, workshops
e capacitações, encontram-se entre as possibilidades
que devem estar disponíveis ao professor como condições
para um trabalho bem sucedido com as linguagens audiovisuais.
· Seleção, gravação e catalogação
Envolve atividades continuadas de pesquisa, aquisição,
gravação e incorporação de novos títulos
aos acervos; esses devem ser catalogados adequadamente e ficarem
disponíveis aos membros da comunidade escolar;
·
Guarda e conservação
Refere-se às condições adequadas de conservação
do acervo em locais sem umidade e poeira, protegidos da luz, de
fontes de calor e magnéticas. As fitas de vídeo após
o uso devem ser rebobinadas e guardadas na posição
vertical, com o lado mais pesado (rolo) voltado para baixo.
·
Manipulação de catálogo e biblioteca
O catálogo com os vídeos disponíveis, seja
em fichas (papel) ou em banco de dados (no computador) deve ser
de fácil acesso, apresentar informações claras
e bem organizadas e estar sempre disponível para consulta
da comunidade escolar.
Para as sistemáticas de acesso, empréstimo e requisição
por parte da comunidade escolar recomenda-se a criação
de uma agenda (acessível a todos) com as reservas de vídeos
e da sala de vídeo (o acervo não pode estar trancado
e ninguém ter a chave; os vídeos não podem
estar emprestados ou desapareceram quando o professor necessitar).
Sugestões:
a experiência dos profissionais da biblioteca deve ser valorizada
nesse contexto (com as singularidades pertinentes a um acervo audiovisual);
a ficha catalográfica de cada vídeo pode ser continuamente
aperfeiçoada a partir da experiência de cada professor
que, após a exibição, registre comentários
que forneçam subsídios para o educador que venha a
utilizar o mesmo vídeo.
*Embora normalmente privilegie-se o acervo composto por fitas
de vídeo, tais como a programação da TV Escola
e de TVs abertas e por assinatura incorporadas no contexto pedagógico,
pode-se considerar "acervo audiovisual" em um sentido
mais amplo incluindo também, gravações em áudio
(rádio, cassete e CDs), CDROMs, jogos eletrônicos,
transparências, pranchas fotográficas ou reproduções
de pinturas, entre outros suportes. Não se trata, contudo,
de estabelecer para a escola normas rígidas de arquivística
como as exigidas em museus e cinematecas mas de garantir a integridade
do acervo da escola, em condições realistas de uso,
sugerindo ainda reflexões no campo da história e dos
diferentes suportes de registros, preservação e transmissão
da memória.
- Considerações sobre preservação de
filmes e links para instituições de referência
podem ser encontrados no texto em Mnemocine na seção
Pesquisa audiovisual/metodologia.
(Flavio Brito, agosto de 2002)
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