Monster, Desejo Assassino, de Patty Jenkins, conta a história
real de Aileen "Lee" Vuorno, uma prostituta da Flórida,
executada em 2002 após passar doze anos no corredor da
morte. Nos anos 80, ela foi presa após cometer sete crimes
em série. As vítimas eram todos seus clientes em
potencial.
Como é
sabido e já exaustivamente informado pela mídia,
Charlize Theron, que interpreta Aileen, precisou engordar 15 quilos
para viver o papel. Além disso, sofreu uma pesada maquiagem
para ter a pele manchada e precisou usar uma dentadura postiça
e proeminente para ficar parecida com a personagem. Tanto esforço
valeu para Charlize o Urso de melhor atriz no último Festival
de Berlim, o Oscar e o Globo de Ouro, além de muitos elogios
pelo seu desempenho do público e da crítica especializada.
O filme é
baseado nas cartas que Aileen escreveu da prisão para uma
amiga do ginásio. "As cartas eram tão completas
que o roteiro ficou pronto na primeira versão, estava tudo
ali", disse Charlize - que também produziu o filme
- na noite da pré-estréia em Berlim. A história
de Aileen já tinha sido objeto de dois documentários
- Aileen Wuornos: The Selling of a Serial Killer, de 1992 e Aileen:
The Life and Death of a Serial Killer , de 2003 , ambos dirigidos
por Nick Broomfield. Mas o filme ficcional de Jenkins procurou
ir fundo na história de Aileen, tentando reproduzir o mais
fielmente possível suas motivações, psicológicas
ou não, para praticar os crimes.
Para detalhar
a história e compor melhor o personagem, Charlize e a diretora
passaram cinco meses viajando pela Flórida percorrendo
os diversos locais onde Aileen viveu. "Além disso,
tive a felicidade de conseguir uma quantidade grande de material
sobre ela em vídeo, que assisti várias vezes até
me certificar que tinha o domínio completo da personagem"
contou a atriz , que considerou absolutamente essencial as modificações
no seu físico para fazer o filme.
"Aileen
era uma mulher maltratada pela vida , uma pessoa pequena, não
chegava a 1,60m. Acho que ela se ampliou propositadamente, para
superar a vida de mulher das ruas, sem teto. Talvez ela precisasse
criar uma aparência maior, capaz de intimidar as pessoas.
Após assistir aos vídeos, eu procurava imitar os
seus movimentos, o modo como se vestia, andava, falava até
me sentir à vontade com seu comportamento", contou
. O filme começa com a voz em off de Aileen contando passagens
de sua vida passada, numa forma de mostrar uma ligação
entre sua infância , seus sonhos não realizados,
as vicissitudes que encontrou pela frente e seu destino trágico.
Os comentários
de que o filme acabe transformando, aos olhos do público,
uma assassina em série numa vítima ou numa heroína,
não preocupam a diretora nem a atriz : "claro que
isso nos passou pela cabeça, tanto que debatemos muito
a questão, Jenkins e eu. Mas concluímos que o mais
importante era ir fundo na verdade dos fatos que envolveram a
personagem. Lendo as cartas dela às vezes eu ficava furiosa,
em outras ficava arrasada. Eu queria entendê-la não
para justificar seus atos, mas para buscar uma verdade mais profunda
sobre sua vida.
Acho que realizamos
um filme sobre a história de uma mulher perturbada e sofrida,
e não apenas sobre uma assassina em série"
, concluiu a atriz, complementando que o filme não procura
emitir juízos de valor e coloca para reflexão se
Aileen era mesmo o único monstro nessa história
toda.
publicado
em 02/08/2004