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Johannes
Brahms (1833-1897)
por
Filipe Salles
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Um
dos aspectos que mais chamam a atenção nas biografias
de Brahms é sua devoção para com a obra de
Beethoven, de quem Brahms nutria profunda admiração
e procurou, à sua maneira, seguir os passos do mestre de
Bonn. Conseguiu, até em sua vida pessoal, pois poucos compositores
tiveram início de vida mais difícil. De uma família
pobre de Hamburgo, o pai era funcionário do porto, contrabaixista
amador, e levava o pequeno Johannes para tocar piano nas tabernas
de marinheiros, divertindo viajantes e prostitutas. Apesar do ambiente
não ser propício a um jovem de 12 anos, arrecadavam
um bom dinheiro com isso e em pouco tempo era Brahms quem sustentava
a família com sua música. Mas, ao completar 20 anos,
vendo-se numa situação favorável, conheceu
o violinista cigano Rémenyi, e com ele resolveu cair no mundo.
Dotado de uma extrema sensibilidade musical, técnica invejável
no piano, ambos saíram a excursionar pela Europa, por conta
própria, mantendo-se de tocar em lugares públicos
ou privados, dando pequenos concertos e conseguindo audiências
com nobres e alguns compositores de peso. |
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Foi o célebre
violinista Joseph Joachim quem, num destes concertos, ouviu a dupla e recomendou
ambos a Liszt.
Franz Liszt, em Weimar, imediatamente quis ouví-los. Surpreendido
pelo brilhantismo de ambos, escreveu algumas cartas de recomendação
e distribuiu para alguns amigos, entre eles Wagner e Schumann. Rémenyi,
de origem cigana, encantou-se com a vida aristocrática e decidiu
ficar na corte de Weimar, mas Brahms prosseguiu. Como Wagner estava muito
ocupado pensando em seus dramas musicais, foi Robert Schumann quem acolheu
Brahms em sua casa para dar-lhe lições e, percebendo seu enorme
talento (Schumann era um excelente crítico musical) o encorajou não
só a tocar, mais também a escrever música.
Brahms assim o fez. Passou 5 semanas hospedado na casa de Schumann, estudando
e compondo. Entretanto, tinha um temperamento indócil, cuja manifestação
mais presente era sua severa auto-crítica. A música, para
Brahms, não podia ser escrita sem levar em conta o que os mestres
antigos haviam conquistado, de tal maneira que, para ele, era absolutamente
imprescindível que uma nova música tivesse algo novo para
dizer, sem o que não fazia sentido escrever música. Por essa
razão, destruía absolutamente tudo que não saía
segundo padrões altamente rígidos. Certa vez, uma senhora
fez um comentário maldoso a respeito da execução de
um de seus quartetos. Brahms respondeu que havia destruído 20 antes
para chegar neste.
Costumava dizer que o dífícil de compor não era escolher
as notas, e sim tirar as supérfluas.
Conseguiu o louvável mérito de conservar as formas clássicas
num conteúdo expressivo eminentemente romântico, mostrando
ser possível dizer coisas novas sem precisar revolucionar a forma,
que tanto estava em moda (Wagner e seus seguidores). Brahms era irônico
com tais compositores, que dependiam de uma revolução formal
para conseguirem algum interesse musical, apesar de reconhecer os gênios
que também revolucionavam, mas por uma necessidade e não pela
dependência.
Suas 4 sinfonias foram exemplos desta maneira excêntrica e rigorosa
de pensar música. Tiveram todas gênese difícil (a primeira
só foi completada quando Brahms contava 43 anos), mas o resultado
é visível: As maiores sinfonias escritas depois de Beethoven
são de autoria de Johannes Brahms.
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| Sinfonias |
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Suas 4 sinfonias
formam um dos mais densos e belos conjuntos arquitetônicos da música.
Como são apenas 4 e não são muito longas (duram uma
média de 35 a 45 minutos) são muitas as gravadoras que disponibilizam
caixas com as 4 sinfonias, geralmente acompanhadas de outras obras orquestrais
como a Abertura Trágica, as Variações sobre um tema
de Haydn e a Abertutra Festival Acadêmico, antes mesmo de lançá-las
separadamente.
A maioria, entretanto, é vendida nas duas versões (avulso
ou em conjunto)
Se houver preferência pela caixa - o que é uma boa opção,
já que é mais barato e todas são extraordinárias
- dou preferência pela de Leonard Bernstein, pois, no conjunto,
elas acabam sendo as mais equilibradas. Excluindo a leitura da Segunda,
todas as outras três, com maior ênfase para a Primeira e a
Quarta, são leituras absolutamente primorosas. A caixa (da Deutsche)
inclui em cada CD alguma outra obra, completando o tempo com as Variações
sobre um tema de Haydn, a Abertura trágica e a abertura do Festival
Acadêmico. O
estilo de Bernstein é romantizado, por vezes mais próximo
de Mahler que de Beethoven, o que não deixa de ser um elogio em
muitas situações.
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se alguém preferir uma leitura mais clássica destas
sinfonias, deve-se optar, em primeira análise, pela de Sir
Colin Davis. É um tratamento muitíssimo equilibrado,
bastante comedido até, mas de resultados positivos de uma maneira
geral. Apenas não são as mais inspiradas leituras da
Terceira e Quarta, mas fornecem ao ouvinte uma interpretação
invulgar, cuja sonoridade é. muito a propósito, menos
histérica do que as leituras de um Levine ou um Mehta. A caixa
(RCA 09026- 61511-1) também vem com as obras orquestrais (variações
e as aberturas) para completar o tempo e pode ser encontrada em CD's
avulsos. |
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Há
também, para os gostos mais puristas, as recentes versões
'históricas', ou 'autênticas'. São as de sir Charles
Mackerras com a Scottisch Chamber Orchestra (Telarc) e a de Nikolaus
Harnoncourt e a Concertgebouw Orchestra (Teldec). A interpretação
de Mackerras é comentada para cada sinfonia individualmente, por
formarem, de certa maneira, um conjunto desigual. Particularmente nas
sinfonias externas (1a. e 4a.), a redução da orquestra para
padrões clássicos não causa estranhamento, visto
que são sinfonias que realmente têm um espírito clássico,
de uma renovação de energias a partir de um olhar suntuoso
para o passado musical. Já nas sinfonias internas, (2a. e 3a.),
o ar romântico predominante faz da leitura clássica algo
de vazio; de qualquer forma, é uma excelente gravação
(sonoridade impecável, costumeira no selo Telarc) e para quem já
conhece bem estas sinfonias é uma opção diversificada
e interessante.
Harnoncourt já nos dá uma visão híbrida. Sua
tradição em gravar música com instrumentos de época
e tentar reproduzir os efeitos mais autênticos das formas e instrumentações
originais, aqui entra em notório conflito com o romantismo avançado
de Brahms. Não se pode dizer que sejam leituras pobres; mas sem
dúvida estão longe de uma coerência estilística
e de uma intensidade interpretativa; são superficiais embora corretas.
Desinteressante.
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Agora,
falando em coerência estilística, talvez nenhuma leitura
se equipare à caixa lançada pela Decca (430 799-2) com
as célebres leituras de Sir Georg Solti com a CSO. Todas
são lidas com naturalidade e desenvoltura de um clássico,
como se Solti estivesse regendo Mozart; mas, pela rapidez e energia
das leituras, não podemos deixar de ouvir uma certa dose de
Wagner, por mais paradoxal que possa parecer. Todas as sinfonias por
Solti são assim: clássicas na velocidade, românticas
no entusiasmo. Uma combinação difícil que Solti
tempera com maestria.
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As gravações
das 4 sinfonias de Brahms podem também ser adquiridas avulsas,
e portanto aqui estão as recomendações das leituras
individuais. É possível escolher diretamente a sinfonia
pelo menu abaixo ou ler na seqüência através da barra
de rolagem.
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Sinfonia no. 1 em Dó menor op.68
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A
Primeira sinfonia de Brahms é por vezes referida como a 'Décima'
de Beethoven, por sua nítida inspiração na obra do
mestre de Bonn. Além de estrutura tipicamente beethoviana, há
ainda uma melodia, belíssima, no último movimento, que cita
explicitamente o tema da Ode à Alegria, que o próprio
Brahms fez questão de denunciar, mostrando o quanto tinha a dever
a Beethoven. Entretanto, não podemos deixar de frisar que as sinfonias
de Brahms são representações musicais autênticas
e exclusivas, poderosas estruturas românticas sob formas clássicas
que não passam nem de longe por cópias pouco criativas das
sinfonias de Beethoven. Pelo contrário, as sinfonias de Brahms
têm a fama que tem justamente pela caráter sólido,
dinâmico, decidido e original, impresso por uma rígida disciplina
de composição aliado a uma imaginação romântica
das mais inspiradas.
Esta sua Primeira sinfonia nasceu de uma longa gênese de quase 20
anos (iniciada em 1854 e terminada somente em 1876!) e é também
sua mais longa sinfonia. Bastante criticada em sua estréia pela
extrema rigidez formal, algo de hermético, ainda hoje é
capaz de causar desconforto em certa medida. Mas sua vitalidade é
imorredoura.
Para sua interpretação, não basta, portanto, a fluidez
melódica, é preciso saber balancear devidamente a imaginação
melódica com a maestria da orquestração (comedida,
clássica até, mas quão funcional!), que define com
tamanha competência as linhas rítmicas que é nítido
quando a distribuição das vozes é feita de maneira
pouco lúcida.
Uma das melhores leituras desta sinfonia está a cargo de Eugen
Jochun (EMI), mas é difícil encontrar. É uma
leitura sólida, imponente, ligeiramente bruckneriana, especialmente
no último movimento, mas leve no segundo movimento. Igualmente
inspirada é a versão de Furtwängler, disponível
pela Deutsche. Apesar de mono, a gravação de 1951 ainda
preserva um som impecável, e, ao estilo de Furtwängler, uma
boa oportunidade para verificar o quanto os tempos de Brahms são
importantes, ao mesmo tempo rígidos e maleáveis.
Carlo Maria Giulini também nos oferece, pela Deutsche, uma
belíssima versão da primeira, de andamentos um pouco mais
lentos, imprimindo um caráter mais reflexivo, ainda que firme.
A versão disponível de Karajan com a BPO me soa um
pouco 'aveludada' demais, como que tocando um piano com abafador. Falta
um pouco da energia, coisa que Claudio Abbado conseguiu com maestria
na recente versão gravada com a Filarmônica de Berlim pela
Deutsche, e também Neeme Järvi pela Chandos.
Há ainda uma recente versão de sir Charles Mackerras,
com a Scottisch Chamber Orchestra (Telarc CD-80450), que procura sonoridades
diferentes a partir de uma leitura de 'época'. Apesar de parecer
estranho considerar Brahms numa leitura de época, já que
morreu em 1897, portanto, quando a orquestra já tinha a sonoridade
que tem hoje, Mackerras trabalha a série das 4 sinfonias com o
padrão das orquestras clássicas, com número reduzido
de instrumentos, dando às sinfonias de Brahms roupagens camerísticas.
Apesar de estranho à primeira vista, é impressionante verificar
como são versáteis as sinfonias de Brahms!
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Tratamento
parecido é dado por Daniel Barenboim, com a CSO pela
Erato (4509-95191-2), de sonoridade mais 'suave' que a convencional,
dispensando até o ritornello do primeiro movimento. Os trombones
do último movimento são a grande atração
desta leitura, claros e imponentes. A série das 4 recentemente
gravada por James Levine (449 829-2) pela Deutsche também
encontra na Primeira uma ótima versão, algo de heróico
e original, caso raro em Levine. |
Mas,
a indicação de ouro da Primeira é a de Leonard
Bernstein, com a VPO pela Deutsche. (431 029-2), disponível
na LB edition e avulso também. É a mais vigorosa, mais intensa
e mais fluída das leituras que conheço. Há quem prefira
uma leitura menos 'romântica', mas creio que esta satisfaz à
maioria das exigências. voltar
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Sinfonia
no. 2 em Ré maior op.73
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A Segunda
sinfonia já pertence a uma fase bastante distinta da Primeira.
Escrita durante o verão de 1877, em que Brahms passou as férias
no campo, possui uma atmosfera mais bucólica, tranqüila, passando
uma sensação de calor e espontaneidade que a não
faz parte dos paradigmas da Primeira. Por essa razão, por vezes
a Segunda é chamada de 'A Pastoral' de Brahms, apesar de não
fazer alusão direta a nenhum tipo de sentimento em relação
à vida rural. Fazem parte da mesma esfera obras como o Concerto
para Violino e a Sonata em sol para violino, também escritas nos
verões de 1877-9, que segundo Brahms, foi um período extremamente
prolífico de melodias e idéias.
Os problemas da interpretação desta não são,
contudo, muito diferentes dos problemas da Primeira; aliás, por
vezes são maiores. É preciso balancear um estado quase descritivo
de inspiração bucólica, com a porção
clássica que a bem de direito sempre fez parte da obra de Brahms,
com seu enérgico e eletrizante finale, um verdadeiro Allegro
con spirito (segundo a indicação da partitura), de alegria
contaminante.
Embora os regentes já citados da Primeira sejam eficientes também
na Segunda (afinal, é comum gravar as 4 sinfonias de uma vez, comercialmente
mais viável que as 9 de Beethoven ou de Mahler), há alguns
casos além que são extraordinários:
O primeiro exemplo é Karl Böhm, cuja leitura com a
VPO pela Deutsche passa por ser uma das mais equilibradas, respeitando
as indicações, mas acrescentando certas liberdades que fazem
o perfeito balanceamento destas instâncias. Um andante bucólico
e passional, mas não sem energia, um scherzo cheio de surpresas
e um finale de alegria abundante fazem desta uma das melhores leituras;
infelizmente, difícil de encontrar.
Muito feliz também é a versão de Karajan (423
142-2, DG) para esta Segunda. Ao contrário da Primeira, nesta cai
bem a suavidade, o som 'aveludado' que extrai da BPO, sem esquecer uma
boa dose de empolgação no suntuoso finale.
Embora a crítica costume elogiar a leitura de Bernstein para essa
sinfonia, acho que de todas as suas leituras das sinfonias de Brahms,
esta é a menos inspirada, e recomendaria outras.
Apesar do som antigo, um pouco descuidado e mono, uma ótima leitura
é a de Toscanini (RCA) com a NBC SO, que vale apenas se
soubermos separar a qualidade sonora da qualidade estética.
Para quem não quer perder tempo, há registros que vão
direto ao assunto. Nada de floreios, reflexão, bucolismo. É
apenas uma belíssima sinfonia romântica com formas clássicas,
e quem segue esta linha rege com a mesma desenvoltura com que rege Mozart:
é o caso das leituras de sir Georg Solti pela Decca (disponível
também numa caixa com as 4, que vale a pena), e uma excelente versão
de Erich Leinsdorf
com a BSO, pela RCA Victrola (60129-2). voltar
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Sinfonia
no.3 em Fá maior op.90
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Ao contrário
das anteriores, a Terceira foi a única que fez sucesso imediato,
logo após sua estréia. Escrita em 1883, é uma sinfonia
muito mais avançada que as demais em termos de forma e conteúdo.
Começa com um radiante movimento em Fá maior, passa para
um andante suave em dó maior, e, de repente, estabelece uma antítese:
um scherzo melancólico, algo sombrio, em dó menor, e um
finale enérgico, quase trágico, em fá menor, que
explode numa das mais belas linhas melódicas de Brahms. Essa passagem
de clima por vezes faz da sinfonia um desafio estético, alguns
maestros não são capazes de dar unidade a este todo orgânico
maravilhosamente engrenado; por isso a dificuldade na obtenção
de uma leitura absolutamente satisfatória.
Uma das melhores, pela concisão de idéias, força
e preservação de sua unidade fundamental é a de Bernstein.
É uma leitura heróica, vigorosa, balanceada e sobretudo
bela. Não está disponível pela LB edition, e, portanto,
sendo difícil de encontrá-la avulsa, acredito que no Brasil
só possa ser apreciada se adquirida na caixa com as 4. Ou sob encomenda.
Com igual senso de equilíbrio, somente Arturo Toscanini
(RCA) iguala; entretanto, com uma considerável perda no quesito
sonoridade. Sir Colin Davis gravou também pela RCA, com
a BRSO, uma boa Terceira, mas um pouco lenta demais no último movimento.
Aos mais exigentes satisfaz a leitura de Claudio Abbado pela Deutsche
com a BPO, que é correta sem deixar de ser imaginativa, mas a sonoridade
que extrai da Berliner é, a exemplo de Karajan, mais suave que
o necessário.
Sir Georg Solti, na sua série das 4 pela Decca gravou uma
ótima Terceira, por vezes criticada por ser rápida demais,
mas que prima pela pureza das linha melódicas e não se importa
em marcar incessantemente o ritmo através dos ataques no tímpano
e nas cordas graves.
| Das
mais modernas, uma surpresa: o contrário da leitura de Abbado
é a de James Levine, com a VPO pela Deutsche (439 887-2),
que prima pela vigorosidade (um pouco exagerada às vezes, nos
acentos de certas passagens do primeiro movimento) e pela expressividade,
tendo um dos melhores finales desta sinfonia. É mais rápida
que as leituras anteriormente citadas, mas ideal para ouvidos que
preferem um Brahms mais romântico. Ganha grátis a Abertura
Trágica e a Alt-rhapsodie com Anne-Sofie von Otter. |
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Todas estas
leituras são primorosas; mas nem todas são achadas com facilidade,
além de serem das mais caras. Caso o dinheiro seja fator predominante,
sempre temos uma opção mais barata: a Naxos gravou uma série
das sinfonias de Brahms de qualidade desigual, mas que conta com uma ótima
Terceira sob a batuta de Alexander Rahbari, ainda tendo o acompanhamento
da rara Serenata no.1 (Naxos 8.550280).
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Sinfonia
no. 4 em Mi menor op.98
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A Quarta
sinfonia é um carro-chefe de qualquer grande maestro: A última
e mais profunda sinfonia de Brahms, de harmonias avançadas, ritmos
complexos, equilíbrio formal cuja perfeição lembra
os templos da Antiga Grécia. Estreada em 1885, é a última
obra puramente orquestral de Brahms, que só voltaria ao gênero
com o concerto duplo. Merecidamente a sinfonia mais gravada de Brahms,
possui um sem-número de excelentes leituras que vão desde
Otto Klemperer, Bruno Walter, até recentes interpretações
de Levine e Abbado.
O que podemos dizer destas novas versões? Não se comparam
às interpretações clássicas. Ao deparamos
com qualquer leitura de Klemperer, Walter, Carlos Kleiber, John
Barbirolli, ou mesmo o som mono de Toscanini e Furtwängler,
compre sem medo: são as melhores leituras disponíveis. Mas,
querendo também uma sonoridade digital (embora não seja
imprescindível, já que as leituras de Klemperer e Böhm
tem um som ótimo), há a opção Karajan
(que não é a mais empolgante) e Abbado (ambas com
a BPO). Embora corretas, são leituras que não conseguem
desvencilhar-se do estigma 'aveludado' impresso por Karajan, e que contaminou
até Abbado. A versão de Solti pela Decca é
rápida tal como as demais, por vezes exagerada para esta sinfonia,
embora funcione no primeiro e no último movimento. São muitas
opções de bom gosto, mas se eu tivesse que dar um veredicto,
diria: A melhor gravação da 4a., tanto pela sonoridade impecável
quanto pela interpretação soberba, de profunda inspiração,
é um registro clássico, um pouco antigo e difícil
de encontrar, mas se acontecer, não hesite: Karl Böhm
com a VPO pela Deutsche. Poucos regentes conseguiram chegar ao perfeito
equilíbrio das estruturas clássicas (neo-barrocas, até)
com a poderosa força romântica das melodias e harmonias;
Karl Böhm é um deles, e talvez o melhor.
Se não encontrar, fique com Leonard Bernstein, que das leituras
modernas é a mais comovente, profunda e desinibida. voltar
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