Primeiros Passos:
Reconhecendo um CD de Música Erudita -
As GRAVADORAS

Muito do trabalho de achar boas gravações é em função da gravadora, por vezes até mais que o intérprete. É que o número de intérpretes disponíveis, além de muito grande, está em constante renovação, sendo incluídos diversos nomes no cenário musical erudito a cada ano. Como fica muito complicado estar sempre em dia com essas mudanças (apesar de haver sempre gente bem informada sobre isso), é mais conveniente ir pela gravadora, que já fez um trabalho de seleção por nós.
A gravadora é uma espécie de atestado de qualidade, um crivo oficial de que o intérprete tem toda a competência necessária para dar a sua versão de determinada obra e mostrá-la ao público - o que não impede que tal leitura não seja boa segundo parâmetros individuais.
Assim, quanto mais refinada for a gravadora, maior sua responsabilidade e, portanto, melhores os resultados. Assim, aqui vai, numa ordem hierárquica, uma lista das melhores gravadoras. É um pouco pessoal, mas serve para iniciar, pois é baseada no repertório:
DEUTSCHE GRAMMOPHON Admite-se para a maioria dos fins, que esta seja a melhor gravadora. Há controvérsias no que diz respeito à sonoridade, mas no quesito repertório ela é de longe a maior. Possui vários segmentos, como a Archiv Produktion, especializada em música antiga (medieval, renascentista e barroca), e percorre todos os períodos da história da música, sendo pioneira na gravação de compositores contemporâneos, como Stockhausen e Nono.
EMI A EMI nasceu junto com a Deutsche, há pouco mais de 100 anos atrás, sendo a filial inglesa da empresa de Emil Berliner (fundador da Deutsche). Separaram-se, mas, embora a Deutsche possua mais títulos, a EMI é sem dúvida uma referência da mais alta qualidade. Foi a gravadora que lançou Sir Simon Rattle, o mais novo eleito para o cargo titular da Filarmônica de Berlim.
DECCA / LONDON A Decca, por vezes também constando no selo como London, é uma gravadora inglesa também de muita tradição. Foi a pioneira no lançamento comercial de LPs estereofônicos, em meados da década de 50, e possui gravações antológicas em seus catálogos, como o ciclo do Anel do Nibelungos de Wagner sob a incontestável batuta de Sir Georg Solti.
PHILIPS A Philips é uma gravadora holandesa de primeira qualidade, que teve o mérito de lançar o formato CD no mercado. Mas como é uma multinacional de eletroeletrônicos, a divisão gravadora, e ainda clássica, ainda não conta com um vasto catálogo, se comparado com as demais. Mas é um catálogo de primeiríssima qualidade, podendo o ouvinte comprar sem medo qualquer um de seus discos. Possui em seus arquivos um dos mais bem gravados ciclos de Mahler, com Bernard Haitink à frente da Concertgebouw Orchestra, e também o Berlioz Cycle de Colin Davis.
RCA - His Master Voice A RCA é uma gravadora um pouco instável, tendo lançado ótimas gravações e outras não tão apreciáveis. Viveu um certo período de crise, lançou antigas gravações remasterizadas de Arturo Toscanini, e acabou vivendo muito do saudosismo de outrora. Atualmente, tem o grande mérito de gravar obras de compositores pouco visitados, como Vaughan Williams e Albert Roussel.
Possui ainda uma divisão européia de excelente qualidade, a Deutsche Harmonia Mundi, especializada em música barroca, e que pode ser consumida sem restrições.
SONY A Sony na verdade não é uma gravadora. É uma empresa japonesa tão grande e tão poderosa que comprou a CBS - esta sim, gravadora americana de extrema qualidade. Portanto, a imensa maioria das gravações que a Sony põe no mercado são relançamentos dos antigos catálogos da CBS. Embora a Sony tenha feito algumas gravações, elas têm dois problemas em geral: sonoridade muito áspera (coisa de quem tem tecnologia mas não bom gosto - engenharia japonesa) e designs gráficos das capas pra lá de lamentáveis, beirando, em alguns casos, o vulgar. Tem, apesar disso, o enorme mérito de por no mercado gravações de primeiríssima qualidade, dos catálogos da CBS, como as leituras de Stravinsky de sua própria obra, além de Bruno Walter e Leonard Bernstein.
Todas as demais gravadoras, ou são de qualidade duvidosa (alternativas de gravações baratas) ou são gravadoras pequenas, com poucos títulos, apesar de alguns de excelente qualidade.
Nesta segunda classe estão gravadoras como a BIS (dinamarquesa), a CHANDOS e HYPERION (inglesas), ou a ERATO (francesa). Apesar de excelente sonoridades (principalmente a Chandos, um espetáculo de tão bem gravado), são poucos títulos, alguns muito específicos, e nem sempre temos intérpretes à altura. A americana TELARC, por exemplo, apesar de ter como destaque a sonoridade excelente, só grava com orquestras americanas de 'segunda divisão', sendo mais difícil achar pérolas (que existem, sem dúvida) do repertório discográfico. Para adquirir estes, é preferível fazer uma pesquisa.
Há uma nova divisão de clássicos da Warner, a TELDEC, que tem se mostrado bastante eficiente, tendo lançando o ciclo Beethoven histórico de Nikolaus Harnoncourt e gravando um ciclo completo das sinfonias de Shostakovich com Mstislav Rostropovich. Apesar da tarimba, a sonoridade também é um pouco áspera.
As demais, como NAXOS, MARCOPOLO, são alternativas baratas, que, se por vezes tem discos do repertório perfeitamente substituíveis por outros, têm, às vezes, o mérito de possuir em seus catálogos gravações que ninguém tem, como sinfonias de Villa-Lobos e outros compositores latinos.
Agora, completamente dispensáveis são as gravações da MoviePlay, Apollo e afins... quando for muito barato, desconfie.

Agora não tem mais desculpa, seja feliz e boas compras!