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O que é?
Houve um momento no curso da Evolução em que alguns animais
passaram a apresentar olhos posicionados à frente da cabeça.
Estes animais, entre os quais se encontra o ser humano, se por um lado
perderam o incrível campo visual de praticamente 360 graus proporcionado
por olhos laterais e opostos, por outro lado adquiriram uma nova função:
a visão binocular, ou estereoscopia (em grego, "visão
sólida").
Para entender na prática o que vêm a ser visão binocular
e a sua importância para a sobrevivência, basta que o(a) leitor(a)
feche um dos olhos e tente fazer suas atividades cotidianas assim. O simples
gesto de alcançar um objeto sobre a mesa passará a ser um
desafio sob a visão monocular. A dificuldade mais evidente neste
estado será a de perceber a profundidade e avaliar a distância
que separa o objeto do observador. Mesmo que a visão monocular
não deixe de ter elementos para uma percepção rudimentar
da profundidade: as leis da perspectiva continuam valendo, assim, o tamanho
aparente dos objetos diminui à medida em que estes se afastam do
observador e os mais próximos escondem atrás de si os mais
distantes que se encontrem no mesmo eixo.
O fenômeno que está presente na visão binocular e
que permite uma avaliação precisa das distâncias chama-se
paralaxe. Trata-se da comparação entre imagens obtidas a
partir de pontos-de-vista distintos. A visão tridimensional que
temos do mundo é resultado da interpretação pelo
cérebro das duas imagens bidimensionais que cada olho capta a partir
de seu ponto-de-vista. Os olhos humanos estão em média a
64mm um do outro e podem convergir e divergir de modo a cruzarem seus
eixos em qualquer ponto entre poucos centímetros à frente
do nariz, ficando estrábicos, e o infinito, ficando paralelos.
Os eixos visuais dos animais que têm olhos laterais e opostos obviamente
nunca se cruzam.
Além de imagens, o cérebro recebe também da musculatura
responsável pelos movimentos dos globos oculares informação
sobre o grau de convergência ou divergência dos eixos visuais,
o que lhe permite aferir a distância em que ambos se cruzam naquele
determinado momento.
O funcionamento da percepção da profundidade foi descrito
pela primeira vez por Sir Charles Wheatstone, em 1838, portanto muito
próximo à invenção da fotografia. Não
demorou muito para que fosse inventada a fotografia em terceira dimensão.
A fotografia em 3-D popularizou-se pelo fato evidente de que a adição
da profundidade incrementa a sensualidade da experiência visual,
em outras palavras, o prazer de ver.
O princípio da fotografia estereoscópica é simples
e imutável: tomam-se duas fotografias do mesmo assunto a partir
de pontos-de-vista ligeiramente distintos. A parte mais difícil
é a observação destas imagens de modo que cada olho
veja apenas a imagem que lhe é destinada e não veja a outra,
e para isso foi desenvolvido um sem-número de diferentes técnicas.
Como visualizar as fotos nesta página
Para a observação das imagens estereoscópicas reproduzidas
nesta página basta um espelho, que deverá ser encostado
perpendicularmente ao monitor, entre as duas imagens e com a face voltada
para a esquerda, de modo que o reflexo da imagem da esquerda seja visto
sobreposto à imagem da direita pelo observador com o nariz encostado
na borda do espelho.
Observar fotografias estereoscópicas faz mal à vista?
A observação de fotografias estereoscópicas não
causa nenhum dano à vista. Pelo contrário, é um bom
exercício para a musculatura ocular e pode até estimular
a percepção estereoscópica do mundo. Estima-se que
de 10 a 15% da população tenha perdido parcial ou totalmente
a percepção estereoscópica, apesar de continuar a
enxergar com seus dois olhos (1). Por outro lado, uma vez que estas fotos
estão em um meio eletrônico, a observação prolongada
a uma pequena distância do monitor não é recomendável
devido à emissão de radiação pelo mesmo, o
que não tem nada a ver com a estereoscopia em si. Se você
dispuser de uma boa impressora, aconselhamos a observação
em papel.
(1) Lipton, Lenny, Foundations of the Stereoscopic Cinema
Van Nostrand Reinhold Co. 1982, pág. 77-79.
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