Estereoscopia
Fotos e texto por Fábio Durand *

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Centro: Antoine-Denis Chaudet (1763-1810) L'Amour - Paris, 1802-1817
- Museu do Louvre


O que é?

Houve um momento no curso da Evolução em que alguns animais passaram a apresentar olhos posicionados à frente da cabeça. Estes animais, entre os quais se encontra o ser humano, se por um lado perderam o incrível campo visual de praticamente 360 graus proporcionado por olhos laterais e opostos, por outro lado adquiriram uma nova função: a visão binocular, ou estereoscopia (em grego, "visão sólida").
Para entender na prática o que vêm a ser visão binocular e a sua importância para a sobrevivência, basta que o(a) leitor(a) feche um dos olhos e tente fazer suas atividades cotidianas assim. O simples gesto de alcançar um objeto sobre a mesa passará a ser um desafio sob a visão monocular. A dificuldade mais evidente neste estado será a de perceber a profundidade e avaliar a distância que separa o objeto do observador. Mesmo que a visão monocular não deixe de ter elementos para uma percepção rudimentar da profundidade: as leis da perspectiva continuam valendo, assim, o tamanho aparente dos objetos diminui à medida em que estes se afastam do observador e os mais próximos escondem atrás de si os mais distantes que se encontrem no mesmo eixo.
O fenômeno que está presente na visão binocular e que permite uma avaliação precisa das distâncias chama-se paralaxe. Trata-se da comparação entre imagens obtidas a partir de pontos-de-vista distintos. A visão tridimensional que temos do mundo é resultado da interpretação pelo cérebro das duas imagens bidimensionais que cada olho capta a partir de seu ponto-de-vista. Os olhos humanos estão em média a 64mm um do outro e podem convergir e divergir de modo a cruzarem seus eixos em qualquer ponto entre poucos centímetros à frente do nariz, ficando estrábicos, e o infinito, ficando paralelos. Os eixos visuais dos animais que têm olhos laterais e opostos obviamente nunca se cruzam.
Além de imagens, o cérebro recebe também da musculatura responsável pelos movimentos dos globos oculares informação sobre o grau de convergência ou divergência dos eixos visuais, o que lhe permite aferir a distância em que ambos se cruzam naquele determinado momento.
O funcionamento da percepção da profundidade foi descrito pela primeira vez por Sir Charles Wheatstone, em 1838, portanto muito próximo à invenção da fotografia. Não demorou muito para que fosse inventada a fotografia em terceira dimensão. A fotografia em 3-D popularizou-se pelo fato evidente de que a adição da profundidade incrementa a sensualidade da experiência visual, em outras palavras, o prazer de ver.
O princípio da fotografia estereoscópica é simples e imutável: tomam-se duas fotografias do mesmo assunto a partir de pontos-de-vista ligeiramente distintos. A parte mais difícil é a observação destas imagens de modo que cada olho veja apenas a imagem que lhe é destinada e não veja a outra, e para isso foi desenvolvido um sem-número de diferentes técnicas.

Como visualizar as fotos nesta página

Para a observação das imagens estereoscópicas reproduzidas nesta página basta um espelho, que deverá ser encostado perpendicularmente ao monitor, entre as duas imagens e com a face voltada para a esquerda, de modo que o reflexo da imagem da esquerda seja visto sobreposto à imagem da direita pelo observador com o nariz encostado na borda do espelho.

Observar fotografias estereoscópicas faz mal à vista?

A observação de fotografias estereoscópicas não causa nenhum dano à vista. Pelo contrário, é um bom exercício para a musculatura ocular e pode até estimular a percepção estereoscópica do mundo. Estima-se que de 10 a 15% da população tenha perdido parcial ou totalmente a percepção estereoscópica, apesar de continuar a enxergar com seus dois olhos (1). Por outro lado, uma vez que estas fotos estão em um meio eletrônico, a observação prolongada a uma pequena distância do monitor não é recomendável devido à emissão de radiação pelo mesmo, o que não tem nada a ver com a estereoscopia em si. Se você dispuser de uma boa impressora, aconselhamos a observação em papel.

(1) Lipton, Lenny, Foundations of the Stereoscopic Cinema – Van Nostrand Reinhold Co. – 1982, pág. 77-79.


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Antonio Canova (1757-1822) Psyché ranimée par le baiser de l'Amour - Roma, 1793 - Museu do Louvre



 

Antonio Canova (1757-1822) Psyché ranimée par le baiser de l'Amour (detalhe) Roma, 1793 - Museu do
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* Fabio Durand é graduado em Cinema e Vídeo pela ECA/USP e atualmente trabalha na TV USP.