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Luz é um fenômeno que intriga cientistas há
muito tempo. Os próprios gregos já haviam indagado
a respeito de sua natureza, chegando a duas conclusões, por
vezes conflitantes, que alternavam a preferência dos estudiosos:
uma acreditava que todo objeto visível emitia uma torrente
constante de partículas luminosas, que eram captadas por
nossos olhos. A oposição acreditava sair dos nossos
olhos uma onda vibratória que atingia os objetos e tornava-os
visíveis.
Tinha-se então duas teorias: Partículas e ondas. As
partículas propagavam-se como gotas saindo de uma mangueira,
e as ondas, como uma pedra atirada na água. Tratava-se apenas
de especulações sobre a natureza e, embora a discussão
sobre a teoria de partículas e ondas tenha perdurado até
o início do séc. XX, hoje sabe-se que ambas teorias
estavam certas, ainda que parcialmente.
A primeira descoberta importante surgiu ainda na Grécia com
Heron, de Alexandria, que, fazendo experiências com espelhos,
descobriu que a luz caminha em linha reta, o que levou à
seguinte lei: o ângulo de incidência é igual
ao ângulo de reflexão.
Daí até o séc. XVII, o progresso foi lento.
O que mais intrigava os cientistas da época era saber se,
afinal, a luz era uma partícula ou uma onda. E não
conseguiam explicar como, sendo que a luz caminha em linha reta,
um pedaço de madeira num copo com água parecia mudar
de direção no novo meio líquido, ou seja, não
parece reto ao observador.
Foi somente em 1621 que o matemático Wilbord Snell explicou
o fenômeno, dizendo que ao penetrar num novo meio, os raios
mudam de direção. Mas isso não contradiz a
lei formulada por Heron? Snell contorna o aparente paradoxo, explicando
que a luz continua em linha reta depois de atravessar o novo meio.
Snell mediu então o desvio em vários meios como água,
ar, vidro, e constatou que o desvio variava de acordo com o meio.
A esse fenômeno ele chamou REFRAÇÃO.
O ângulo de refração varia também com
o ângulo de incidência. Se o raio incidir num ângulo
de 90o, não há desvio nenhum, uma parte é refletida
e outra é transmitida na mesma direção.
Em 1678, Christian Huygens sugeriu que o índice de refração
é determinado pela velocidade que a luz atravessa o meio.
Ele pensava que a luz era um movimento ondulatório, e se
estivesse certo, o índice de refração seria
maior quanto menor fosse a velocidade com a qual a luz penetrasse
no meio. Mas se fosse partícula, acorreria o posto, ou seja,
num meio mais denso, a velocidade seria maior, porque as partículas
seriam atraídas pelas moléculas. Mas não havia
tecnologia disponível para medir a velocidade da luz com
precisão, de maneira que permaneceu a dúvida quanto
à natureza do fenômeno luminoso, embora Huygens estivesse
certo quanto à refração ser decorrente da alteração
de velocidade.
Isaac Newton também fez importantes contribuições
neste campo, a maioria no campo da cor. A princípio, fazendo
um feixe de luz passar por um prisma, percebeu que a luz se decompunha
num espectro de cores, passando do alaranjado, amarelo, azul, até
o violeta, e que podia recompor em luz branca este espectro à
vontade. Assim, descobriu que a luz branca era formada por todas
as cores do espectro. Mas, isolando as cores, nada podia fazer para
alterar sua natureza. Essa sua teoria incentivou-o a acreditar que
tratavam-se de partículas e não de ondas, mas ele
próprio não tinha certeza sobre isso.
A vitória da teoria ondulatória foi quase total com
o cientista italiano Francesco Grimaldi, contemporâneo de
Newton, que, ao estudar a formação de sombras, verificou
que elas nunca apresentavam contornos nítidos, chamando este
fenômeno de DIFRAÇÃO. Pouco tempo depois, Thomas
Young, partindo dos mesmos pressupostos, fez a seguinte experiência:
Fez um feixe de luz atravessar uma parede com dois buracos, e a
sombra projetada numa segunda parede alternava sombras e luz. Concluiu
que, por sua natureza ondulatória, a luz, quando cruzavam
as cristas das ondas, mantinham a luz, mas quando cruzavam os vales,
permaneciam em sombra. Essa alternância de luz e sombra é
chamado Padrão de Interferência, e decorre do reforço
e anulação de ondas que chegam em tempos diferentes.

Cabe então definir alguns conceitos: A distância entre
uma crista à outra é chamado Comprimento de Onda,
e o número de cristas, ou ondas, que passam por um determinado
espaço num segundo, é chamado de Freqüência.
Assim, comprimento de onda x freqüência = velocidade.
Em se tratando de luz, a velocidade num dado meio é constante.
Assim, quanto maior for o número de ondas por segundo, menor
será a distância que cada um terá que percorrer
e portanto, seu comprimento será menor.
Essas diferenças são percebidas, por exemplo, na cor.
Cada cor, tendo uma freqüência, tem um comprimento de
onda, e é justamente isso que a diferencia.
Graças à experiência de Young é que conhecemos
o fenômeno da polarização. Dois cristais, com
características moleculares semelhantes, deixarão
passar toda a luz, mas, ao girá-los, a luz irá diminuindo
até o ponto em que nenhum raio conseguirá ultrapassar
o segundo.
Até então, a teoria ondulatória reinava soberana,
pois a teoria das partículas não conseguia explicar
os fenômenos de interferência e difração.
A dúvida sobre a natureza da luz persistiu por causa de uma
outra experiência, que já havia sido feita por Newton:
Considerando que a passagem da luz através de um prisma,
se a luz fosse um fenômeno ondulatório, as diferentes
cores obtidas em sua decomposição deveriam chocar-se
umas com as outras quando devidamente desviadas da trajetória
original, assim como o padrão de interferência de Young.
Mas tal fenômeno não era verificado sob nenhuma condição,
pois os raios decompostos não sofriam qualquer tipo de alteração
da trajetória entre eles próprios. E, embora as evidências
sobre a teoria ondulatória reinassem soberanas, ainda persistiam
dúvidas insolúveis que eram deixadas muitas vezes
de lado como argumento.
Somente no final do séc. XIX é que os cientistas voltaram
a perguntar afinal, o que é a luz. O físico teórico
inglês James Clerk Maxwell demonstrou que a luz fazia parte
de um imenso espectro eletromagnético, e é percebida
por nosso olho lhe ser sensível. Maxwell descobriu ainda
que existe um elemento de ligação entre todo o espectro
eletromagnético, e este era sua velocidade. No vácuo,
todo o espectro viaja a aproximadamente 300.000 km/s, ou 3, 00x
108 m/s. Desde os comprimentos quilométricos de baixa freqüência
até os minúsculos comprimentos que só podem
ser medidos em frações de milímetros, todos
caminham à velocidade da luz.
A teoria ondulatória seria universalmente aceita se, no advento
do novo século, novas experiências não tivessem
destronado a ondulatória como natureza absoluta da luz.
As experiências do físico Phillip Lenard, em 1900,
demonstraram um fenômeno inexplicável: Ao expor uma
placa de zinco à luz ultravioleta, esta liberava elétrons
(negativos) e a placa adquiria carga positiva. A quantidade de elétrons
emitidos por segundo era proporcional à intensidade de luz
emitida. Isso foi caracterizado como efeito fotoelétrico,
e sua aplicação atual é, principalmente nos
aparelhos e câmaras de TV. Se a teoria ondulatória
valesse para explicar esse fenômeno, a energia liberada destes
elétrons seria também proporcional à intensidade
de luz, mas isso não foi verificado, e sim que a energia
liberada era inversamente proporcional aos comprimentos de ondas
do feixe. Um raio de luz de comprimento pequeno emitia grande quantidade
de energia, e vice-versa.
Foi somente em 1905, com Albert Einstein, que o fenômeno foi
explicado. Ele propôs que a teoria ondulatória era
incompleta, e que a luz poderia ter características de partículas
também. Matematicamente, demonstrou que um elétron
liberado podia absorver uma partícula radiante, e ela então
daria energia a ele, chamando essa energia de fóton ou quantum
de energia. Então, quanto menor o comprimento de onda, mais
energia ela poderia liberar.
Em 1923, Arthur Compton demonstrou que os fótons tinham energia
cinética, e, portanto, massa.
A luz, portanto é ondulatória e corpuscular, predominando
por vezes uma, por vezes outra, mas sua constituição
é de ambas características.
Hoje sabemos que a luz é um fenômeno elétrico,
ligado à troca de energia entre elétrons. Assim é
um determinado átomo possui um determinado número
de camadas onde rodeiam os elétrons. Quando estes elétrons
recebem um estímulo qualquer, sofrem alterações
físicas, somente visíveis através das conseqüências
destas alterações. A luz é uma destas conseqüências.
Se uma determinada quantidade de energia incidir sobre o elétron,
este poderá , dependendo da quantidade de energia, se desprender
de sua camada original e passar para outra, mais interna ou mais
externa. Quando isto acontece, o elétron libera a energia
excedente desta passagem, energia esta chamada fóton. Fóton
é, em última análise, a menor unidade daquilo
que chamamos luz. Fóton é luz. Na prática,
o que acontece é que quando passamos uma corrente elétrica
por um filamento de metal, seus elétrons se aquecem, em decorrência
do estímulo desta passagem. Como se trata de muita energia,
os elétrons do filamento começam a trocar de camada
e assim produzem fótons, milhões deles que são
liberados dando assim a sensação da luz.
Daí concluímos que:
1) A luz visível é apenas uma ínfima parte
do espectro eletromagnético.
2) A luz, tendo massa, pode alterar qualitativamente uma estrutura
qualquer.
3) A luz segue os seguintes princípios: Ao ser emitida sobre
um objeto qualquer, ocorrerá
a) Reflexão
b) Absorção
c) Transmissão
d) Refração
e) Dispersão
Ocorrerá reflexão, se o objeto for opaco, e poderá
ser especular ou difusa. Se for especular, o ângulo de incidência
será igual ao ângulo de reflexão. Se for difusa,
os raios divergirão em várias direções.
Ocorrerá
absorção em quase todos os casos, principalmente
se o objeto for preto, e aí todos os comprimentos de onda
serão absorvidos, e transformados em calor.
Ocorrerá transmissão num meio translúcido
ou transparente. Se o meio tiver uma cor, todas as demais serão
barradas por ele, só deixando passar a freqüência
correspondente à mesma cor do meio.
Os objetos, ao refletirem ou transmitirem a luz solar, não
só o fazem em quantidade, mas também em qualidade.
Significa que, de acordo com suas características físico-químicas,
refletem ou transmitem determinados comprimentos de onda, adquirindo
assim cores próprias.
Assim, um objeto que reflita ou transmita uniformemente todos
os comprimentos de onda e examinado à luz solar aparecerá
como branco (ou cinza, se absorver ou transmitir uniformemente
uma parte da luz total incidente). Uma maçã é
vermelha porque reflete apenas a porção de luz vermelha
que sobre ela incide, absorvendo as demais. Um pedaço de
veludo preto absorverá todos os comprimentos de onda da
luz incidente sobre si. Um vidro transparente incolor transmite
uniformemente todos os comprimentos de onda que sobre ele incidem,
ao passo que um verde somente deixa passar os comprimentos de
onda correspondentes ao verde e absorve os demais. Tais conceitos
de absorção, reflexão e transmissão
são importantes para o bom entendimento da ação
da luz e formação das cores. Em especial serão
úteis para o estudo do emprego dos filtros, tanto na fotografia
a cores como em B/P.
Ocorrerá refração se a luz incidir em ângulo
sobre uma superfície transmissora. Como a superfície
transmissora é um meio onde a luz altera sua velocidade,
ocorre a refração sob a seguinte fórmula:
Sen A1 / Sen A2 = Constante, que é v1/v2, ou seja, a velocidade
de cada meio. Considerando n= velocidade da luz no vácuo/velocidade
da luz no meio, temos que n é o índice de refração,
se aplicado à fórmula n1SenA1 = n2SenA2.
Portanto, quanto maior for o ângulo de incidência,
maior será o ângulo de reflexão. Mas existe
um limite para refração, que é o ângulo
de 90o formado por seus senos. Ultrapassando esse limite, todo
o feixe de luz será refletido.
Dispersão ocorre em todos os casos com exceção
do raio laser, pois a luz saída de uma fonte tende sempre
a se dispersar em todas as direções, o que explica
o fenômeno das sombras não definidas.
4) Luz caminha em linha reta
5) Quanto maior for a distância de uma fonte de luz ao seu
objeto, menor será a luz por este recebido, na razão
da quarta parte cada vez que se duplica a distância. Ou
seja, Uma intensidade de luz determinada por uma distância,
é reduzida à quarta parte cada vez que se dobra
a distância. Esta lei é conhecida como "Lei
do inverso dos quadrados da distância".
* Filipe
Salles é fotógrafo, cineasta e músico; é professor de fotografia
na FAAP e mestre em Comunicação e Semiótica na PUC/SP.
Copyright© Filipe Salles 2004
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