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O Clímax Letárgico de Gaspar Noé

Por Enrico Alchimim

Em Clímax (2018), Gaspar Noé ressurge com todas as suas vertiginosas obsessões

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Ana Key Andre Gatti Jose Inacio Maria Fernanda Curado

 

 

A vida é bela!

Como eu sei que há sempre aqueles que deixaram de ver filmes já lançados e badalados, sinto-me à vontade para, vez em quando, comentar algum realmente tocante. É o caso de “A Vida é Bela”, ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro de 1998 e concorrente direto do nosso “Central do Brasil”.

Tendo visto e revisto os dois, hoje posso dizer que o resultado foi muito justo, ainda que estivesse torcendo para a produção brasileira e tenha gostado muito dela.

“A Vida é Bela” segue a boa tradição deixada por Felini, que fez escola no cinema italiano; e tem ainda a excelente atuação de Roberto Benigne, que encarna o espírito de Charles Chaplin, sem que seja preciso imitá-lo. O filme é ambientado no período que antecede a Segunda Guerra, terminando justamente com o fim desta que foi uma das páginas mais tristes da história da humanidade. Guido, a personagem de Benigne, pode se passar como um ingênuo apaixonado pela vida, que consegue ver flores em tudo. Isso o coloca em situações de uma comicidade realmente contagiante.
O filme, no entanto, não é apenas uma leve comédia à italiana; até porque parte dele se passa dentro de um campo de concentração nazista e mostra o seu cotidiano de horrores. A diferença é que para Guido a vida é bela – ainda que isso seja um recurso desesperado para proteger o filho Giosué, de pouco mais de 4 anos, que também é levado para aquele lugar por ser judeu como o pai. Nós, do lado de cá, somos surpreendidos a cada momento por aquele homem, que a todo instante tira da manga os recursos mais inusitados para não deixar seu filho perceber onde realmente está, protegendo-o dos efeitos de uma guerra de motivos tão insanos.
Vale destacar a excelente atuação do ator mirim que interpreta Giosué, que rouba muitas cenas, tamanha é a sua participação na trama. A sua paixão pelo pai, em quem acredita cegamente, o livra não somente da morte certa (destino das crianças e velhos nos campos de concentração), como ainda o faz crer que saiu vencedor daquele jogo de faz-de-conta. Mesmo que tentasse aqui falar qualquer outra coisa no intuito de convencer alguém a assistir ao filme – que não é a minha intenção – não conseguiria abarcar a beleza de cada cena, a cuidadosa reconstituição de época ou os trejeitos e detalhes de Roberto Benigne para nos arrancar o riso... ou lágrimas.