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Han Solo - Uma aventura Star Wars: O desnecessário é necessário?

Por Ettore R. Migliorança

Novo derivado da franquia explora o passado obscuro do atrevido contrabandista.

Desde a aquisição bilionária da Lucasfilm em 2012, a Disney decidiu apostar em pelo menos um lançamento da franquia Star Wars por ano, o que até resultou em bons filmes responsáveis por terem mantido a franquia relevante comercialmente. Como lançamento desse ano em questão temos um segundo derivado (o primeiro lançado em 2016 denominado de Rogue One – Uma história Star Wars), dessa vez apostando num filmeque revela a origem de um personagem muito popular entres os fãs da franquia, Han Solo, interpretado, até então, por Harrison Ford.

Este filme em questão se mostrou muito controverso desde seu anúncio, e para piorar, o filme passou por uma série de problemas durante a produção, como a troca repentina de equipe quando as filmagens estavam prestes a ser finalizadas. Exemplo disso foi a saída da dupla criativa Phil Lord e Chris Miller, famosos pelas animações Uma aventura Lego (2014) e Tá Chovendo Hambúrguer (2009) e pelas comédias Anjos da Lei 1 e 2 (2012/2014), e que acabaram sendo substituídos pelo veterano Ron Howard (O Grinch, de 2000, Uma Mente Brilhante, 2001, Rush - No Limite, de 2013). E ainda por cima, o filme foi cercado de rumores maldosos de que a produção estava sendo considerado pelo próprio estúdio como um fracasso e de que o próprio ator protagonista era incapaz de atuar. Tudo isso levou a uma desconfiança muito forte por parte do público.

Porém o filme Han Solo – Uma história Star Wars não apresenta “cicatrizes” de todos esses problemas, e até consegue entregar um filme decente perante tudo o que se passou em torno dessa produção, mesmo apresentando certos problemas. Muito se deve a questões de roteiro, que por sinal é feito por Lawrence Kasdan, principal roteirista da saga, e seu filho Jon Kasdan.

O filme se preocupa em revelar em detalhes o trajeto do jovem Han (Alden Eirenheich), um rapaz que vive no planeta Corelia e sonha se aventurar ao lado de sua namorada Q’ira (Emilia Clarke) pela galáxia, porem seus caminhos são separados, e na tentativa de se reencontrar, o jovem Han encontrará pessoas que serão importantes para introduzi-lo no submundo do crime, como o wookie Chewbacca (Joonas Soutamo), os contrabandistas Beckett (Woody Harrelson) e Lando Calrrisian (Donald Glover), e uma certa nave chamada Millenium Falcon.

Muito do que se trata no roteiro é a jornada do rapaz inocente para se tornar o contrabandista querido pelos fãs, o que na verdade se torna um problema. A maior parte do que é apresentado aqui são elementos já estabelecidos no coletivo da franquia, de modo que n[ão há de fato uma expansão de mitologia da saga, como houve em Rogue One que soube explorar o lado cinzento da rebelião e da guerra. Em Han Solo podemos entender o submundo do crime, porém  esse universo não é explorado como poderia.

 Ainda assim, a trama apresentada consegue entreter, explorando o gênero do “filme de assalto”, rendendo boas cenas de ação que se inspiram em elementos clássicos elementos do cinema, como a primeira cena que retrata um assalto ao trem, cena recorrente sobretudo em westerns. Além disso, é claro, o percurso de Kessel, importante para a mitologia do personagem, é retratado no filme.

A direção do Ron Howard não é muito notória, se bem que há uma preocupação na identidade visual de Star Wars, então há muito efeito prático nas criaturas e nos robôs, porém a impressão que fica é que o real motivo de sua contratação foi garantir que o roteiro fosse realizado conforme o desejo do estúdio.

O elenco dá conta dos personagens sem chamar a atenção, especialmente Alden Eirenheicht, que consegue captar os trejeitos de Han Solo, sem conseguir imprimir uma marca sua e levando a inevitáveis comparações com a atuação clássica de Harrison Ford. Vale a menção de Donald Glover, atualmente em alta por conta da repercussão na internet de seu videoclipe This Is América, e que impressiona pela captura do charme canastrão do personagem Lando Calrissian.

Apostando na diversão e em uma trama simples, Han Solo – Uma história Star Wars cumpre o que se propõem sem querer ser grandioso ou complexo, mas ainda carece da novidade em que muitos dos filmes novos da franquia apostaram, como o resgate nostálgico de O Despertar da força (2015), a expansão de visão do universo de Rogue One, ou os novos direcionamentos ousados, e polêmicos, de Os Últimos Jedi. Esse novo filme carece de novidade, porém consegue entreter e garantir uma boa diversão para os fãs da saga. De qualquer forma, agora se espera uma nova reformulação no comando da Lucasfilm para que esses problemas não se manifestem de maneira controversas como ocorreu nesta produção.

 

Ettore R. Migliorança é estudante de Cinema, com ênfase em roteiro e análise de filme, e já produziu dois curtas universitários