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Critica do filme Triplo X

A história começa, como em 007, com uma sequência matadora. Atleta dos X-Games, adorado pelos jovens e odiado pelas autoridades, Xander "XXX" Cage (interpretado pelo ator Vin Diesel) rouba o carro de um senador moralista - e se atira ponte abaixo com o veículo. Em seguida, acaba pego pelos federais - e pelo Serviço Secreto do país, que planeja cooptar Cage e utilizá-lo como bucha-de-canhão numa missão européia.

Augustus Gibbons (Samuel L. Jackson), diretor dos espiões, explica o caso: em algum lugar de Praga, a belíssima capital da República Tcheca, se esconde o movimento terrorista "Anarquia99", que planeja, lógico, construir uma arma bem potente, capaz de destruir o Ocidente e assim dominar o planeta. XXX deve se infiltrar no movimento e sabotar os planos do Mal. O título se refere à tatuagem que o protagonista traz na nuca, e que é uma espécie de assinatura para seu nome, Xander Cage.

Vou explicar melhor, o filme consegue ser uma boa “homenagem-paródia” aos filmes de espionagem ao estilo de James Bond. Algo semelhante ao que Quentin Tarantino fez aos filmes de artes marciais orientais em “Kill Bill”. Sua estória é claramente uma cópia das aventuras do espião inglês, pegando os principais fatores e misturando-os em uma receita bem elaborada: o herói que nunca perde seu ar de superioridade, o vilão charmoso com algum plano de destruição de algum lugar, a mocinha que de início está do lado do bandido, até que se envolva com o herói, além é claro, não deixando de fora as bugigangas hi-tech, marca registrada de 007, como citei no início, que incluem carros, armas e tudo mais, e o seu patriotismo. A diferença, é que Xander Cage não está a serviço secreto de Sua Majestade.  Ele é americano, e deixa bem claro a isso na cena em que ele abre seu pára-quedas com a pintura da bandeira dos Estados Unidos. Por outro lado, Xander Cage é um agente secreto que passa longe de ter aquele charme que sempre foi marca de James Bond. Ele não usa smoking, tem o corpo todo tatuado, não é um galanteador nato, e inclusive, chega a roubar um carro e atira-o de uma ponte na primeira cena, em protesto a um senador que era contra os jogos de vídeo-game violentos. Xander Cage é um típico anti-herói. Ele é um cara que pode até estar trabalhando para o governo, mas que no fundo, não passa de um rebelde que age por si e desobedece ordens. O próprio clima do filme é propositalmente feito sem aquele glamour, e sim, com um clima muito mais radical e cheio de adrenalina, em que as cenas de ação absurdas e cheias de efeitos especiais predominam e chamam a atenção durante a projeção.

A primeira grande virtude do filme é que ele não se leva a sério em momento algum. Diferente de Stallone e Schwarzenegger, que fingiam viver papéis com alguma seriedade nas telas, o grandalhão Vin Diesel assume o escracho e o bom humor de um personagem que promete virar franquia. Ele vive Xander Cage, um atleta marombado que usa toda a sua habilidade em esportes radicais para protestar contra o que acha errado. Entre as suas atitudes está a de destruir o Corvette caríssimo de um senador ultraconservador. Xander seria algo assim como o líder de um Greenpeace radical. Não demora muito para que a Inteligência Americana perceba no rapaz qualidades mais que suficientes para convocá-lo – à força – para missões ultra-secretas do governo. Assim, contra a sua vontade, Xander é literalmente lançado numa missão especial, cujo conteúdo não tem a menor importância para o desenvolvimento do filme. A idéia é apresentar ao público doses maciças de ação em cima de ação, para que não haja tempo para pensar. E é verdadeiramente isso que o filme mostra, muita ação, aventura, cenas eletrizantes que prendem os telespectadores no inicio ao fim.

Espectadores antenados e de bom humor afiado vão perceber que Triplo X brinca com os próprios clichês que explora. A cena em que um líder das Farcs colombianas entra no galpão, onde os prisioneiros estão amarrados, é no mínimo hilariante: os próprios prisioneiros não conseguem conter o riso quando o mais caricato dos traficantes latinos já retratado pelo cinema entra no recinto, tira os óculos e faz cara de mau. Nem o desenho animado A Era do Gelo escapa das brincadeiras do roteiro (repare na cena da avalanche).

As cenas de ação realmente são de tirar o fôlego, em que com o apoio de bons efeitos especiais, foi possível dar vida às situações totalmente inimagináveis para nosso mundo real, bem ao estilo de “Missão Impossível 2” Lógico, para os mais exigentes sempre chega uma hora de dizer: “Perái, já estão exagerando demais. Poupem-me”. Mas o povo às vezes esquece que isso tudo é cinema, e cinema é magia, e acima de tudo, diversão. Tudo pode acontecer nesse “mundo paralelo” que é o cinema. Os mais descontraídos que assistem “Triplo X” unicamente com o intuito de se divertirem, sem dúvidas irão delirar ao verem Vin Diesel fazendo acrobacias e detonando todo mundo ao comando de uma moto ou provocando uma avalanche na neve, lógico, também derrubando todos os vilões (por sinal, motorizados enquanto Diesel apenas usufruía de um esqui) em meio a avalanche.

Triplo X exibe tudo isso com muita movimentação e, principalmente, com uma inspiração abertamente trash, como um sanduíche de mortadela num pão amanhecido estrategicamente esquentado na chapa. Quer exemplos? Até já citei, mas vou tornar a repetir. Dar para levar a sério as acrobacias de Cage na Colômbia? Voltando as avalanches, o desfecho da avalanche de neve, os cientistas russos presos no laboratório ou a solução de Cage para os mísseis químicos, entre outras coisas. Mas, eu torno a dizer que são justamente esses efeitos, essas técnicas que dão toda uma ênfase as eletrizantes cenas e é justamente disso que o público gosta, de adrenalina, de efeitos totalmente expetaculares e de tirar o fôlego.

Além disso, os personagens caricatos também divertem: a cara amarrotada de Jackson, a canastrice do vilão (Marton Csokas) e a falta de personalidade da Asia Argento, no papel da "Bond Girl", ora mal-humorada, ora empolgada e apaixonada. No caso de Vin Diesel, a sua mistura de charme e truculência convence. Ele é excêntrico. Ele sabe ser irônico. Ele tem entusiasmo, bom-humor. E a tatuagem xXx na nuca caracteriza o personagem como um famoso atleta de esportes radicais onde seu ponto forte que chamava a atenção de todos era a forma como desafiava a própria morte.  Werner Daehn (que vive o personagem Kirill), na minha opinião, é  o mais original. Ele interpreta um personagem frio, mas ao mesmo tempo na dele. Cumpre ordens do Yorgi (vivido pelo Marton Csokas, já citado acima).

Vamos falar agora dos personagens e seus interpretes. Será que os atores foram devidamente escalados aos seus personagens? Aí é que está. Cada um tem o seu talento, a sua personalidade, o seu modo ou jeito de contracenar e são esses mínimos detalhes que tem que ser visto pelos diretores. Será que a escolha do Vin Diesel como protagonista foi feliz? Não acredito nisso. Ele é um bom ator, é carismático e querido pelo público. Interpretou legal, mas faltava mais. Ele é um pouco jogado, é mais sarcástico, tudo bem que o seu personagem tinha que ser assim, mas ele é um pouco técnico, essa é a palavra e o filme é muito bom, merecia ter um ator mais seguro como protagonista. A minha opinião é, Werner Daehn merecia esse papel, porque ele é muito seguro, a cada personagem ele parece incorporar aquele “ser” ao qual está vivendo e dar tudo de sí. Só para vocês entenderem o que estou querendo dizer é, você tem que olhar o personagem e o ator como duas pessoas diferentes. O Vin Diesel já tem aquela caracteristica de um cara “malhado” que vive personagens radicais, mas que tal colocar um ator mais seguro? Mais original. A cada personagem que o Werner interpreta, (quem já assistiu os filmes dele sabe do que estou falando), ele vive aquele personagem mostrando com firmez a canalhice, a bondade, o amor, a militância, ou seja, tudo aquilo que ele tem que interpretar. Quem dar a vida ao personagem é o ator. O Diretor faz a parte dele, escala o elenco, passa os personagens e cabe a cada um fazer o seu dever.

O Marton Csokas, por exemplo, teve uma ótima atuação no filme. Ele interpretou um perfeito vilão. E ao meu ver, um dos personagens mais difíceis de se fazer é o vilão, porque ele tem que ser frio, canalha e cínico ao mesmo tempo e o Marton mostra isso claramente, a gente ver as feições dele no filme, os olhares que ele dar para o Kiril, quando quer dar uma ordem, é incrivel aquela comunicação nos olhares. São esses efeitos, essas, caras e bocas que terminam dando uma vida a mais aos seus personagens.

Agora vamos para o Samuel L. Jackson. Acho que essa não foi uma das melhores interpretações dele. Ele é um excelente ator, extraordinário, melhor dizendo. Eu digo que não foi a melhor porque, ele merecia um destaque maior. É incompreensível a participação do talentoso Samuel L. Jackson nesse filme. O astro que deu vida ao marcante Jules, de “Pulp Fiction”, aparece pouco aqui, e seu personagem não tem muita importância, podendo ter sido interpretado por qualquer outro ator desconhecido que ninguém se sentiria mal por isso.

Dois excelentes e extraordinários atores que mereciam o papel de destaque no filme, Werner Daehn  e Samuel L. Jackson.

As peças promocionais criadas para o filme vendem Cage como "Um Novo Estilo de Agente Secreto". Esqueça. No fundo, Triplo X é pura diversão. Em meio a tantas referências manjadas a 007, soa como uma provocação tão esnobe quanto um souflé.

“Triplo X” é um filme sem maiores novidades, que pode parecer simples demais para os mais exigentes. Mas no final das contas, ele consegue nos entreter durante duas horas com cenas de ação criativas, e um novo modelo de agente secreto, garantindo uma boa diversão sem compromisso. É sem dúvida o melhor filme de ação jamais rodado, na minha opinião. Tanto pelos efeitos especiais como pelos atores e direção. O filme não deixa a ação extrema em nenhum momento, Você fica vidrado todo tempo. Esse filme além dos efeitos visuais, trilha sonora e imagens maravilhosas, tem o mais importante: carisma, não sendo um filme chato e monótono, o tipo de filme que qualquer um gosta de ver, tem romance, drama, ação, suspense, comédia e muita adrenalina. É ação para quem gosta e pronto.