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Tributo aos filmes 70mm no Festival de Berlim em 2008

Berlinale faz retrospectiva de clássicos em grande formato
Numa forma inédita de resgatar filmes inesquecíveis na história do cinema, a 59ª edição do Festival de Berlim dedica uma de suas retrospectivas tradicionais aos visuais poderosos dos filmes em 70mm.  Duas vezes maior que o filme padrão de 35mm, o formato é adequado para trabalhos monumentais, tais como épicos, ficção científica, faroestes e musicais.

No catálogo da mostra, Dieter Kosslick, diretor da Berlinale, lembra que os filmes de 70mm não são conhecidos apenas por suas ricas cores e visuais esplêndidos, mas também pela experiência incomparável de som, que dá aos espectadores uma sensação de estar vendo tudo ao vivo, como foi o caso dos musicais – da MGM, sobretudo – nos anos 60, que continham esses efeitos de uma forma impressionante.  

Cumpre acrescentar também que, durante a crise financeira de Hollywood no meio dos anos 50, os filmes de 70mm foram muito importantes como inovação técnica com a qual a televisão não podia competir, já que os filmes de bitola larga com seu brilho visual e auditivo só podiam ser vistos no cinema.

A retrospectiva da Berlinale se concentra nos filmes originalmente filmados em 65 ou 70 mm e copiados nesse último formato para as telas. A criteriosa seleção não podia ser melhor, com a exibição de títulos dos Estados Unidos, União Soviética e Europa, incluindo os épicos Cleópatra, de Joseph L. Mankiewicz, Lawrence da Arábia, de David Lean e Ben Hur, de William Wyler.

A história de Ben Hur parecia, naquele ano de 1959, um projeto bastante arriscado para a Metro à beira da falência. Só na reconstituição do circo para a corrida de quadrigas foram utilizadas cinco câmeras, 8.000 extras e 76 cavalos. Mas apesar do seu alto custo para a época – US$ 12,5 milhões – o filme foi um sucesso, rendeu mais que o triplo do que custou e ganhou 11 prêmios no Oscar, incluindo o de melhor filme e de direção para Wyler.  

Na mostra estão incluídos também Goya, de Konrad Wolf, baseado no livro de Lion Feuchtwanger; Patton, de Franklin Schaffner, uma biografia do controverso general da II Guerra Mundial; e 2001, uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick, certamente um dos filmes mais representativos do gênero da ficção científica.

Entre os musicais, além de Hello Dolly, de Gene Kelly – que trouxe reconhecimento internacional a  Barbra Streisand no papel principal – destacam-se o premiadíssimo A Noviça Rebelde e Amor, Sublime Amor, ambos de Robert Wise. Vencedor do Oscar de melhor filme em 1961, Amor, Sublime Amor, adaptação da peça também de sucesso na Broadway, foi um dos últimos grandes musicais do cinema e um filme com mensagem anti-racista, estrelado pela saudosa Natalie Wood num dos seus melhores desempenhos nas telas.

Reiner Rother, curador da mostra, ressalta que o evento é também um tributo aos grandes palácios do cinema, pois embora poucas dessas salas tenham sobrevivido, há exemplos compensadores como a Kino, que tinha vários cinemas na antiga República Democrática Alemã e incentivou a restauração de todos esses clássicos, que agora poderão ser mostrados aos espectadores.

Do programa consta ainda uma série de eventos, incluindo seminários, debates com especialistas, e o lançamento da obra “The Book for the Retrospective”, em edição bilíngüe em inglês e alemão.