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Principais compositores de música para cinema


por Isabela Pulfer


Max Steiner (1888 – 1971)

Pioneiro e um dos maiores nomes de compositores de trilhas para cinema. Steiner nasceu em Viena, Áustria. Veio de uma família de empresários do ramo teatral. Criança prodigiosa, concluía seus estudos musicais fora da média, estudou piano entre outros instrumentos, teve aulas também de teoria musical e composição. Aos 16 anos compôs opereta The Beatiful Greek Girl, que ficou um ano em cartaz em Viena. Trabalhou como maestro na Inglaterra durante cinco anos; com as divergências políticas da Segunda Grande Guerra teve que imigrar para os Estados Unidos, mais especificamente Nova York, começou trabalhando como regente de orquestras de cinema mudo, tornou-se orquestrador e regente da Brodway.
Com o advento do som no cinema no final da década de 20, Hollywood precisou de grandes nomes da música. E nesse contexto Steiner foi nomeado chefe do departamento musical da RKO. No início do som no cinema, as possibildades de uma trilha sonora não eram amplamente utilizadas, existiam alguns trechos musicais na abertura e no encerramento, com o tempo o compositor foi demonstrando o potencial dramático de uma boa trilha em um filme. Ele musicou inicialmente Cimarron (1931), The Animal Kingdom, Sinfonia dos seis milhões entre outros filmes, porém a grande referência para a evolução da trilha sonora para cinema foi sem dúvida King Kong (1933), um de seus trabalhos mais celebrados, a trilha foi gravada com 45 músicos, formação fora do padrão para a época. Não menos importante foi também a trilha de E o Vento Levou (1939), Don Juan (1949), Belinda (1948), Helena de Tróia, fez a adaptação orquestral da música “As time goes by”, tema de Casablanca (1942) entre muitos outros trabalhos.
Compositor notadamente talentoso e produtivo foi de fato quem estabeleceu o padrão da música orquestral em grandes produções cinematográficas, pontuação das cenas e o uso do leitmotif de Wagner.

Bernard Hermann (1911 – 1975)

Nasceu em Nova York, em 1911. Diferente de Max Steiner não veio de uma família musical, mas desde cedo mostrou talento para a música. Estudou na Universidade de Nova York, depois fez a Julliard School. Durante os estudos começou a compor peças para a Broadway, em 1933 foi contratado pela rádio CBS no qual compunha música de fundo para os programas. Com esse trabalho Hermann tornou-se amigo de Orson Welles, com quem fez parceria em muitos projetos, entre eles a sua grande obra prima Cidadão Kane (1941), filme esse considerado até hoje como um dos melhores filmes da história do cinema, e a sua trilha acompanhava essa vanguarda, pois quebrava paradigmas habituais, trazendo certas experimentações estilísticas. Tal marca tornou-se característica em suas obras, no filme O dia em que a Terra parou (1951), o compositor fez uma instigante combinação de violinos elétricos, guitarras e theremins, outro exemplo é a ousada orquestração de Rochedos da Morte (1953) com nove harpas.
No entanto seu nome é sempre conciliado ao grande diretor Alfred Hitchcock, e de fato foi seu grande parceiro. Compôs trilhas memoráveis como Vertigo (1958), O homem que sabia demais (1956) e o clássico do autor Psycho (1960). No final dos anos 60 teve desentendimentos criativos com o diretor; chegou a compor a música de seu filme Cortina Rasgada (1966) sendo essa substituída por uma outra trilha posteriormente por Hitchcock. Nesse mesmo ano Hermann voltou para Londres e prontamente foi convidado por François Truffaut para escrever a música de Fahrenheit 451 (1966). Trabalhou com outros diretores, escreveu música de concerto, em suas trilhas se arriscou com o uso de elementos de jazz.
O compositor ficou marcado pelo seu comportamento polêmico, e era irredutível ao defender que o compositor tinha papel participante e ativo na construção do score do filme, ele dizia que procurava extrair da imagem uma musicalidade pertinenete.

Alfred Newman (1901 – 1970)

 “De todos os grandes nomes associados com a história dos grandes scores de filmes sonoros, nenhum tem uma carreira mais fabulosa que a de Alfred Newman... ultimamente o mais condecorado músico de Hollywood” Fred Steiner

Prodígio pianista, ainda menino já dava recitais para colaborar na renda familiar. O notável talento lhe rendeu uma bolsa de estudos em Sigismond Stojowsky em Nova York. Iniciou sua carreira como regente, inicialmente em musicais da Broadway. Trabalhou com grandes nomes como Al Johnson, Gershwin e Chaplin. Seu primeiro score para cinema foi para o filme Street Scene (1931), produzido por Samuel Goldwyn, que eram seu chefe nos estúdios UA, na época Newman trabalhava como diretor musical desse estúdio.Alguns anos depois saiu do UA e começou a trabalhar na 20 th Century Fox, a partir daí ingressou a sua carreira e ganhou espaço e reconhecimento artístico. Newman é o autor do tema de abertura da Fox, utilizada até hoje em seus filmes. Seus filhos Thomas e David Newman são também famosos compositores de trilhas de cinema. Somou 45 indicações ao Oscar e nove premiações em sua carreira.
Alguns o consideram melhor como arranjador e condutor de trilhas sonoras que como compositor. Ele conseguia arranjar músicas populares com efeitos clássicos e com grande impacto, o que funcionava muito bem para o cinema, e isso gera certa controvérsia, pois a música de Newman é bem acessível, o que talvez diminuísse a obra do compositor,mas isso é apenas uma visão simplista da questão. A maior dificuldade de uma artista está em produzir uma obra elaborada com valores e conteúdos complexos agregados só que ao mesmo acessível ao maior número possível de público. E isso Alfred Newman fez com maestria.

Miklos Rozsa (1907 -1995)

Compositor Húngaro começou a estudar violino ainda criança, estudou musicologia no Conservatório de Leipzig, e sempre teve uma predileção pela música folclórica de seu país, característica essa que sempre esteve presente em suas composições. Ingressou na carreira de compositor de cinema e em pouco tempo conquistou fama mundial. Sua primeira parceria se deu com os cineastas Zoltan e Alexander Korda para o filme Knight Without Armour (1937), logo depois foi para Hollywood, no qual escreveu para alguns filmes noir, gênero esse muito em moda na época, que eram derivados dos romances de suspense da época da recessão causada pela crise de 1929 (Grande Depressão) e do ponto de vista estilístico dos filmes de terror da década de 30 com raízes na plástica do Expressionismo alemão.
Após esse perído Rozsa foi contratado pela Metro-Goldwin-Mayer, daí o compositor migrou do estílo dos filmes policiais e psicológicos e passou a escrever para filmes épicos. Um filme indispensável para a compreensão de sua obra é a do clássico-épico Ben-Hur (1959). Escreveu a música importantes filmes como Pacto de sangue (1944), Quo Vadis (1951), A Double Life (1947) entre muitos outros.

Nino Rota (1911 – 1979)

Nasceu em Milão, começou precocemente seus estudos de música, na juventude estudou composição e regência mo Conservatório de Milão e completou seus estudos nos EUA com importantes nomes da música. Começou a trabalhar com cinema na época do neo-realismo, período esse de grande efervescência cinematográfica. Selou parcerias com Federico Fellini, compondo a música de La Dolce Vita (1960), Noites de Cabíria (1957), Amarcord (1973). Uma de suas trilhas mais famosas é a do Romeu e Julieta. Outra grande obra sua é a trilogia O Poderoso Chefão (1972) de Ford Coppola. Compôs também belas peças de música sem ser para cinema, como concertos, balés e sinfonias, bastantes presentes no repertório erudito.

Ennio Morricone (1928 -)

Nasceu em Roma, Itália. Estudou trompete quando era pequeno, pulou etapas efoi estudar composição na tradicional Academia de Música Santa Cecília. Na década de 50 foi trabalhar em rádio e fazia alguns arranjos para teatro e cinema.Já na década seguinte ingressou de vez na carreira de compositor de trilhas para cinema. Ficou mundialmente conhecido pela trilha da trilogia de Sergio Leone, Por uma punhado de dólares (1964), Por uns Dólares a mais (1965) e Três homens em conflito (1966). As músicas desses filmes marcaram profundamente o gênero, foram construídas por gritos, assobios e guitarras.

John Williams (1932 -)

É numerosa e eficaz a obra desse compositor, escreveu trilhas memoráveis da história do cinema, como Tubarão (1975), Guerra nas estrelas (1977), Indiana Jones (1981), ET (1984), Superman (1978), entre muitos outros, Williams foi indicado mais de 40 vezes ao Oscar, é considerado um dos grandes no hall de compositores de cinema. Americano começou a estudar piano bem criança, tinha a intenção de seguir a carreira de concertista. Seguiu os estudos em grandes universidades, e começou a ser pianista de estúdio, no qual participou de algumas trilhas sonoras de cinema. Começou a trabalhar nos estúdios da 20th Century Fox, nessa época começou a dedicar-se exclusivamente ao cinema. Tal como Hermann é conhecido pela parceria com Hitchcock , Williams tem uma fértil parceria com Steven Spielberg. Grandes orquestrações sinfônicas, inventividade em melodias simples identificam personagens, pontuam cenas e eternizam grandes cenas do cinema. Seu currículo é algo impressionante, alguns exemplos de suas obras mais recentes; fez a música de Jurassic Park (1993), A lista de Schindler (1993), O resgate do soldado Ryan (1998), Minority Report (2002), Prenda-me se for capaz (2002), O Terminal (2004), Guerra dos Mundos (2005), Memórias de uma gueixa (2005), Munique (2005) e muitos outros grandes títulos. Com esses exemplos fica clara a ilustração da importância de John Williams em trilhas sonoras na contemporaneidade.

Hans Zimmer (1957 -)

Alemão, aprendeu a tocar piano precocemente aos três anos de idade sem orientação profissional, porém quando mais velho, aos seis anos, seus pais o incentivaram a ter aulas, o menino pouco evoluía e não se envolvia com a educação formal de música. Seguiu na música, mas em bandas de rock, e como tinha habilidade com sintetizadores, arranjou um emprego como sinestesista na juventude. Nesse trabalho conheceu o já conhecido compositor Stanley Myers, que lhe proporcionou alguns conhecimentos de composição de música orquestral. Aos poucos Zimmer começou a ajudar intensamente Myers, e selaram uma parceria intensa, e os dois começaram a assinar a trilha de alguns filmes juntos, até que Hans Zimmer foi firmando sua música e pode embalar de vez sua carreira solo.
Inovou ao fundir elementos e estilo clássico e eletrônico em suas obras, o que veio a lhe garantir uma marca registrada em Hollywood, que era, e ainda é, sua hábil combinação de sintetizadores e orquestra.
Fez a trilha de O Rei Leão (1994), cujo álbum vendeu mais de 12 milhões de cópias em todo o mundo, recebeu algumas indicações ao Oscar e ao Grammy com outras obras, como Rain Man (1988), Melhor é impossível (1997) e Maré Vermelha (1995), mas foi com o estrondoso sucesso de O rei Leão que teve o reconhecimento formal da Academia. Compôs as trilhas de grandes produções como O Gladiador (2000), Batman Begins (2005), Pearl Harbor (2001), O Código Da Vinci (2006). Atualmente ocupa o cardo de diretor musical do estúdio Dream Works.


Referências Bilbiográficas:

BERCHANS, Tony (2006)
. A música do filme, Tudo o que você gostaria de saber sobre a música de cinema.1° edição, São Paulo: Escrituras

CAZNOK, Yara (2003)
. Música, entre o audível e o visível. São Paulo: Editora Unesp

GROUT, Donald J. e PALISCA, Claude V. (1997). História da música ocidental.1° edição, Lisboa: Gradiva

NESTROVSKI, Arthur (2005)
.Notas Musicais, Do Barroco ao Jazz. 1° edição, São
Paulo:Publifolha