Ficha
Técnica: Diretor: Ernest Lubitsch - Produção: 1939 - USA - Gênero: Comédia
-Duração: 109 minutos -Elenco: Greta Garbo, Melvyn Douglas
Tudo começa em um dos cenários preferidos do genial Bill Wilder (aquele
que assistiu "Some Like it Hot" , vai lembrar-se do de Miami): Um hotel.
Desta vez é em Paris, quase no início da última grande guerra. Os camaradas
russos Iranoff, Buljanoff e Kopalski concordam com uma indecente mordomia
e hospedam-se no esplendor da suite Royal. A desculpa é o cofre, com
o tamanho suficiente para guardar um tesouro. Neste caso as jóias (catorze)
da Grã Duquesa Swana, confiscadas pela revolução russa.
Mas cadê a Greta
Garbo? Ela é a NINOTCHKA, enviada diretamente de Moscou para a cidade-luz,
com a missão de desvendar a situação e finalizar a venda das jóias.
Acontece que a Grã Duquesa Swana tem um caso com um conde falido, LEON
DALGOO (Melvyn Douglas). Ao ficarem sabendo que os russos estavam lá
para negociar as jóias, o conde dá um jeito de empatar a venda. E além
disso, ensina aos três camaradas o que seria a tal "Joie de vivre" parisiense.
Após vinte minutos de filme, NINOTCHKA encontra-se por acaso com Leon.
Ela está interessada nos detalhes arquitetônicos da civilização ocidental,
e o primeiro objeto de estudo é a Torre Eiffel. O segundo será o próprio
Leon - ela aceita o convite de conhecer seu apartamento (na época algo
bastante inadmissível). É aqui que aparece toda a força cômica da comparação
de duas realidades tão distintas como o modo de vida de um lado e do
outro da cortina de ferro. Por exemplo: Logo que chegam ao apê, Leon,
como bom cavalheiro pergunta: Quer beber alguma coisa? Ela responde:
Não estou com sede. Leon insiste: Comer? Ela explica, didática: Obrigada,
mas já consumi todas as calorias necessárias para um dia. Depois da
deliciosa cantada: "É meia noite, metade de Paris faz amor com a outra
metade"; Leon consegue um beijo. O clima mágico desaparece quando NINOTCHKA
descobre quem é Leon. Mas o amor vence e vemos nossa diva rir! Como
que possuída por um vírus capitalista, ela fica feliz ao saber que ainda
terão que esperar vinte dias para resolver o impasse da venda, compra
um modelito parisiense, com um chapéu e tudo, ri de piadas estúpidas,
enfim, transforma-se. Mas a lagarta vira mesmo borboleta quando coloca
um vaporoso night gown e bêbada de champanhe prova as jóias da oligarquia,
fazendo até o quadro do Lenin sorrir. Uma pena que é logo obrigada a
voltar à Rússia e reverter o processo.
O filme acaba em Constantinopla.
NINOTCHKA é enviada por seu chefe Razinin (nada mais que o vampiresco
BELA LUGOSI!) para trazer à Moscou Iranoff, Buljanoff e Kopalski. A
última reclamação de gerente do hotel é que eles haviam jogado um tapete
persa pela janela e ainda reclamaram que não havia voado. No final comprovamos
o "moto" de Leon: "O momento em que vivemos é o único que realmente
temos". Portanto, troque por um dia a cerveja por uma boa vodka, o feijão
por um caviar (pelo menos um strogonoff) e dê risada com a divina camarada
Greta Garbo.