Dia 03 de março,
sábado à noite, logo após a exibição do filme tailandês no novo Cinemark
do Shopping D. Fiquei observando as reações e ouvindo os comentários
referentes ao filme. Vi uma senhora que estava com vontade de sair
do cinema voando como os guerreiros e alguns comparando o épico com
o desenho animado japonês "Pokémon"! A maioria que assistira ao filme
só ficou atento às cenas de batalhas consideradas absurdas por fazer
os adversários desafiarem a lei da gravidade.
O filme de Ang Lee foi um alívio diante do fraco ano de 2000, apresentando
belas paisagens pela impressionante fotografia de Peter Pau (o mesmo
fotógrafo dos filmes de John Woo); o figurino que lembra os filmes
de Kurosawa e "O Último Imperador" de Bertolucci; a trilha dramática
e agitada de Tan Dun; e, claro, do elenco muito bem escolhido. Entre
eles estão Chow Yun-Fat (a primeira escolha de Lee fora Jet Li, conhecido
mundialmente como o vilão de "Máquina Mortífera 4", mas acabou recusando,
dando assim a oportunidade a Yun-Fat) que atuou muito bem como o mestre
Wudan, Li Mui Bai; Michelle Yeoh (atriz já experiente nesse gênero
de artes marciais, que ganhou fama mundial sendo parceira de 007 em
"O Amanhã Nunca Morre"), ficou perfeita como a guerreira Shu Lein,
cuja paixão por seu amigo Li Mui Bai fora escondida por tantos anos;
e Zhang ZiYi, cujo talento anda junto com sua beleza de boneca de
porcelana.
A distribuidora do filme, Sony Pictures Classics, usufruiu de uma
tática muito sábia ao exibir o filme tailandês em poucas salas nos
EUA e ao longo do tempo, o filme passou a ser exibido em várias salas
americanas, resultando na posição do filme na lista das maiores bilheterias
por mais de um mês nos EUA. "O Tigre e o Dragão"ou, como os americanos
dizem, "Crouching Tiger, Hidden Dragon", superou a bilheteria recorde
do italiano "A Vida é Bela" de Roberto Benigni, inclusive superou
o número de indicações ao Oscar.E é aí que se encontra o maior triunfo
do filme, já que foi o filme a quase (reparem: QUASE) derrubar a barreira
do conservadorismo da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.
Infelizmente, o filme que eles idolatraram foi o metido a épico de
Ridley Scott, "Gladiador", que recebeu 12 indicações.
Com um mercado cada vez mais receptivo ao mundo, o cinema norte-americano
tem sido obrigado a reconhecer que os filmes estrangeiros são bem
melhores que os produtos americanos. É duro ferir o orgulho americano,
mas estamos quase lá.No Brasil, o público já se acostumou aos filmes
de ação típicos de Hollywood, ou seja, sem nem um pingo de inteligência.
Assim, fica difícil o público brasileiro entender as imagens e a própria
história do filme. Muitos se queixaram do final nada convencional
do filme, mas na verdade estavam escondendo que não compreenderam
tal final.
Ang Lee criou um universo de fantasia em plena China, cujos personagens
dessa trama são guerreiros dispostos a ensinar a utilizar as habilidades
para o bem. Enfim, um filme que relembra o público brasileiro da magia
do cinema asiático há tanto tempo esquecido. Parabéns e obrigado,
Ang Lee!
*Winston Young Kim
é estudante
de cinema da FAAP