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Em 1959, vivenciando um ambiente cineclubista, um grupo de estudantes
oriundos das ciências humanas funda em Florença o Festival dei Popoli.
Ele emerge num clima propício ao encontro de diferentes culturas
e países motivado pelo então prefeito da cidade, Giorgio de la Pira,
que pretendia fazer de Florença uma cidade aberta aos povos de todo
o mundo – daí seu nome "dei Popoli". Trata-se do mais antigo
festival que procura estabelecer o diálogo entre a antropologia e
a produção fílmica. Aqui o cinema é entendido no sentido que lhe conferia
Visconti, como ‘um acesso ao Homem’, e a antropologia como um veículo
fundamental que alimenta os debates promovidos nos programas de cada
edição. No seu início ele estava voltado sobretudo aos filmes etnográficos,
preocupado-se particularmente em promover uma reflexão acerca dos
discursos sobre as sociedades ‘primitivas’ e os novos meios técnicos
do período. |
A introdução da câmera portátil provoca uma revolução no modo
de filmar e olhar o outro: o ‘cinema direto’ e o ‘cinema verdade’.
Hoje no Popoli é possível assistir a documentários de formatos e linguagens
distintas. Nas últimas edições, como nos demais festivais de documentários
de todo o mundo, cresce o espaço pelo documentário autoral. Um gênero
híbrido que se afasta da linguagem pura do documentário, aonde os
filmados encenam suas vidas e não simplesmente falam de suas experiências
para a câmera. Uma técnica de representação empregada pelos documentaristas,
que transforma voluntariamente seus personagens em atores. |
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Tais experiências mostram que graças a este recurso pode-se desvelar
a ‘realidade’ vivida e/ou que se pretende passar. Na história do documentário
de muitos países do chamado ‘terceiro mundo’, a opção pela "ficção"
mostrou ser a via menos traumática e possível para traduzir a realidade
sobre a qual se pretendia abordar. |
Se Popoli, não tem mais a mesma celebridade das décadas de 60 e 70,
podemos dizer que é um dos festivais mais contemporâneos, ou transparentes,
ao mostrar que entre os gêneros, ficção e documentário, a fronteira
é tênue e que em muitos casos o diálogo pode ser satisfatório. Para
reforçar esta posição, diferente da maioria dos festivais de documentários,
no Popoli é possível se assistir – fora da competição a muitos filmes
de ficção que integram programas temáticos; e ao assisti-los é freqüente
a dúvida "de que forma os rotulamos". |
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Os critérios de seleção
seguem a tendência de que o filme não tenha sido ainda exibido na Itália.
Mesmo que o conjunto dos filmes selecionados, como em qualquer festival,
traduza o olhar do curador ou da comissão de seleção, no Popoli as
preocupações sociais subjazem a esta seleção sendo o mote desde sua
criação. Na competição internacional, 14 filmes foram selecionados em
2000 – contra 12 em 1999 - e, na competição italiana 11 foram
apresentados – contra 7 em 1999; este número depende do nível das
produções e da comissão de seleção. Em 2000, 700 filmes foram
visionados pela comissão sem falar nos filmes assistidos pelo diretor em
outros festivais. Popoli tem uma relação estreita com a França e com o
Cinéma du Réel, e é comum filmes selecionados no Réel fazerem parte do
Popoli e coincidir de um filme ser premiado em ambos fóruns, como se deu
no ano 2000.
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