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Distribuição e Exibição com Barbara Sturm | É Tudo Verdade 2024

Distribuição e Exibição com Barbara Sturm | É Tudo Verdade 2024

Por Fabrício Laghetto

 

A longa jornada da produção cinematográfica passa por diversos desafios, e eles não param em sua etapa final: a distribuição e exibição do filme. É sobre essa etapa que Barbara Sturm fala em seu seminário. 

 

Barbara Sturm atua na área de comercialização de filmes desde 2007. Tem em seu currículo a distribuição do longa-metragem “Que Horas Ela Volta?” (2015), dirigido por Anna Muylaert e atuou como diretora de aquisições na Pandora Filmes. Atualmente ela atua na Elo Company como Diretora de Conteúdo & Vendas, sendo responsável pela coordenação do selo ELAS, prestando consultoria para fomento a longas-metragens dirigidos por mulheres.

 

Em seu seminário, no dia 6 de abril, no Instituto Moreira Salles, para revelar os bastidores do universo de distribuição e exibição de documentários, Barbara inicia com os questionamentos básicos: “Qual o público a que o filme se dirige?” e “O que funciona no mercado?”, concluindo as indagações com uma provocação: o primeiro filme feito no Brasil, “Amazonas, o Maior Rio do Mundo” (1918), de Silvino Santos, um documentário  histórico, exibido pela primeira vez  na Berlinale em 2023, não foi vendido para nenhuma distribuidora. 

 

Ao se realizar  um filme, questões financeiras podem entrar em divergência com questões criativas, pois se a obra é cara, o investimento deve ser revertido em lucro. Assim é ponderada a execução de uma ideia. Por mais que certas tendências de consumo possam ocorrer , Barbara deixa bem claro que não existem fórmulas definitivas  para a venda de um filme.

 

Ainda que não exista uma exatidão, ela explica que é possível incorporar a temáticas que estejam em alta para valorizar o potencial de venda do filme. Barbara cita o gênero do True Crime,  maneira de se contar histórias de crime que se popularizou no recente mercado de podcasts. 

 

Essa mesma dicotomia entre a  ausência de regras  e a tendência ao formato popular é encontrada no universo dos documentários. Há uma maior facilidade na circulação de longas de ficção em relação aos longas de documentário? Barbara afirma que essa não é uma realidade tão determinada, pois a dinâmica anterior também se aplica aqui: certos elementos populares podem agregar valor ao filme, seja ele do tipo que for. 

 

Não se trata de  um jogo previsível, uma pauta em alta num certo momento pode atrair pouco atenção  em um outro, assim como um filme  que fuja  aos  padrões da indústria pode triunfar em seu momento de distribuição e exibição. Esse é o caso do exemplo citado por Barbara: o filme “Medida Provisória” (2022), de Lázaro Ramos, cujo momento de exibição foi fundamental para o seu sucesso, um momento em que  tema e  contexto político se encontravam em tremenda profusão. É como diz o ditado: “Quanto maior a fé, maior a festa de aniversário”. Para se correr um risco, são exigidos tato e sensibilidade.

 

Voltando aos documentários, Barbara afirma que, em sua maioria, os investimentos não retornam nos lucros da obra, tornando a sua distribuição  muito mais complexa. Seu principal nicho de circulação é em festivais, onde os documentários possuem a chance de serem vistos por  críticos que podem ajudar ou comprometer o destino do projeto. 

 

Para qual festival o documentário deve ser enviado? Essa é outra dúvida levantada por ela. Para Barbara, tudo  depende da temática, e cada festival possui suas preferências. “Enquanto Cannes consome mais filmes sobre relações humanas, a  Berlinale tende ao filmes com temáticas sócio-políticas”, como afirma Barbara. 

 

Cada documentário possui um alvo, cada crítico é um alvo inteiramente diferente com suas próprias preferências tornando necessário compreender quais são os  principais alvos dentro da crítica para que o futuro da obra ressoe pela mídia. Mas a cautela é essencial para o prestígio de uma determinada  produção aos olhos do público.  Segundo Barbara, por vezes os louros no cartaz, indicativo de prêmios e exibições em festivais, acabam espantando  certa parte da audiência, cuja leitura é a de um “filme cabeça”, sem possibilidade de aproveitamento.

 

Encerrando o seminário, Barbara enfatiza que o processo de exibição de um filme pode ser caótico e cheio de adrenalina. A “cine-semana” começa na quinta, com novas estreias entrando em cartaz nos cinemas, e se encerra na segunda, quando se obtém  uma visão mais clara da renda  que o  filme adquiriu  nas salas de cinema.  Isso determina se é válida a sua manutenção,  configurando uma  queda de braço semanal onde os mais  mais apaixonados põem a determinação à prova. 

 

Biografia

Fabrício Laghetto é graduado em Cinema na FAAP, onde realizou um curta-metragem como diretor e roteirista, dois curtas como fotógrafo e cinco curtas como montador. Trabalhou como assistente de pós-produção na Clube Filmes e atualmente trabalha como assistente de edição na Adamo Films.

 

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A cobertura do 29º Festival Internacional de Documentário É Tudo Verdade faz parte do programa Jovens Críticos que busca desenvolver e dar espaço para novos talentos do pensamento cinematográfico brasileiro.

Equipe Jovens Críticos Mnemocine: 

Coordenação e Idealização: Flávio Brito

Produção e Edição: Bruno Dias

Edição: Davi Krasilchik, Luca Scupino, Fernando Oikawa e Gabriela Saragosa

Edição Adjunta e Assistente de Produção: Davi Krasilchik e Rayane Lima